
Paralelos da Nação
Agosto 5, 2007*Demorou, mas finalmente faço minha estréia aqui no blog. O post ficou um pouco extenso, mas prometo que não vou me exceder tanto nos próximos. Confere o texto aí.
Quando Chico morreu – só para lembrar, para quem é da minha geração, Chico de verdade é o Science (pelo menos deveria ser), não aquele sessentão de olhos verdes (a quem respeito, mas não escuto faz tempo) que ainda faz a mulherada suspirar –, o pessoal da Nação Zumbi ficou por um tempo sem rumo, pois o grupo perdeu o cara que indicava o norte para todos, os caminhos a seguir.
Uma década depois do baque – Chico sofreu o acidente fatal em 2 de fevereiro de 1997 –, a Nação deu a volta por cima lançando ótimos discos, provando que não era apenas o vocalista sua mola propulsora e consolidando-se com uma das melhores e mais importantes bandas nacionais – no palco, é quase imbatível, apesar de não ter a mesma vibração dos shows com Chico (algo praticamente insuperável), o som ainda continua poderoso.
Por isso, Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Pupillo, Toca Ogam e Gilmar Bola Oito (o famoso Boina do campeonato Rock Gol) partiram agora para colocar no mercado os projetos paralelos que já vêm tocando há alguns anos.
No mês passado, Maia lançou, via Trama, o CD Homem Binário, de seu projeto Maquinado – tocado ao lado de Toca Ogam e Dengue, brothers da Nação, e do DJ PG. Quem esperava um disco de virtuose – Maia é excelente guitarrista, reconhecidamente um dos melhores do país – deve ter se surpreendido com a economia nas guitarras e a investida nos sons mais eletrônicos, com muito groove, e adicionando pitadas de rap, música regional e rock. O ótimo registro, um dos melhores do pop-rock nacional deste ano, se destaca pela grande quantidade de convidados: Mombojó, Gustavo Black Allien, Instituto, Mamelo Sound System, entre muitos outros. O show já passou aqui por Curitiba, no Era Só o Que Faltava.
Dengue, Rica Amabis (do Instituto) e Pupillo (na seqüência na foto) também apresentaram, em julho, o disco do projeto 3 na Massa, com uma sonoridade bossa nova e interpretações sensuais de vocalistas convidadas, entre eles a cantora CéU e as atrizes Thalma de Freitas (que também canta na Orquestra Imperial) e Karine Carvalho (esta, a senhora Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, com a qual tenho um episódio divertido e meio surreal numa entrevista, e que posso revelar em um outro post, se houver pedidos).
Já Du Peixe (foto) investe em experimentalismos no solo Autônomo e em Capenga Sangle, projeto que comanda ao lado de Berna Vieira (do Bonsucesso Samba Clube). O som de ambos os trabalhos é claramente viajandão, focado apenas no instrumental de beats eletrônicos, percussão e alguns outros instrumentos. Talvez mais conhecido do público seja os Los Sebosos Postizos, em que o pessoal da Nação interpreta músicas antigas e clássicas do mestre Jorge Ben (de bem antes dele ser Jor). Mas ainda tem o Pra Mateuz Poder Dançar, de Toca Ogam e Marcos Matias (percussionista que acompanha a Nação), e a Orquestra Manguefônica, formado em conjunto com o mundo livre s/a para relembrar os clássicos do manguebit.
Os projetos dos integrantes da Nação revelam uma característica notada recentemente no pessoal que trabalha de forma independente no Brasil, à margem das gravadoras: o sistema de coletivos, reunião de bandas e músicos em vários projetos, com participações mútuas – você faz um som no meu disco, toca uma guitarra, que eu produzo uma faixa do seu CD, e por aí todos vão se unindo e apresentando cada vez mais trabalhos.
O combo Instituto, revelado na trilha sonora do filme O Invasor e parceiros da Nação Zumbi, e o projeto + 2, de Kassin, Domenico e Moreno Veloso, são alguns dos exemplos mais destacados de coletivos, mas as armações desse tipo estão pipocando aos montes, é só conferir na rede.
Vale conferir as páginas de Maquinado, 3 na Massa, Los Sebosos Postizos, Autônomo e Capenga Sample no MySpace.
Postado por Rudney Flores

As músicas que aparecem em nosso blog são links para arquivos hospedados fora do servidor do .::musicness::. reproduzidos a partir de outros websites.
Orrrrrrrrrrrrraaaaaaaa! Isso que é rapidez pra começar a escrever. O pessoal já tava achando que vc não existia, que seria um pseudônimo para escrever besteira no blog (quase que eu comecei a fazer isso hehehe).
Dos projetos solos do pessoal da Nação só gostei do Maquinado. O Du Peixe não me desce até hoje (acho até que deveriam ter escolhido outro vocalista depois da morte do Chicão).
Ah guri, uma dica: quando colocar dicas para o Myspace, põe o link, né?
Aeeeee Rudney!!!! Saudades!!!! Até que enfim você apareceu!!!
Seguinte, detesto ouvir streaming no MySpace. Dioguito (ou Rudney), tem como vocês disponibilizarem esses discos pra sua amiga que mora longe e não consegue acesso daqui de Seattle?
Claro que tem. Mas não existe Soulseek por aí? Ah, lembrei, funcionários da Microsoft não podem hehehe
Bjão
Eu falo pro Diogo socializar, mas ele não entende e faz bazófia… Finalmente em Rudy? Gostei de ver
pah… lembro-me muito bem o baque que levei ao receber a notícia sobre a morte do Chico Science… foi um baque mesmo…
e em maio, toquei no Festival M.A.D.A, em Natal… onde um dos headlines da noite era o Nação Zumbi… foi bacana ver com outra ótica (do palco) o show deles… e mais ainda a animação do povo!!
Gostaria de ler um post do Rudney sobre o Dj Marlboro. É possível?
Vou ao Rio em setembro. Quem sabe não acontece o grande encontro? Se rolar, escrevo por aqui.
Se rolar o encontro, acho que rola um post do DJ Marlboro sobre o Rudy…
Acho que mesmo que não role ele deveria utilizar suas atribuições de ghost writer e fazer um post fictício, mesmo.
vale muito conferir de perto mesmo
são sonantes tb? vi num outro blog e pirei