Muro indie

Minha percepção de São Paulo é a melhor (em comparação a Nova Iorque). A cidade nunca esteve bombando tanto. A cena musical está plena. Nunca teve tantas casas. Tem balada rock e afins quase todos os dias. Só na quinta-feira tem várias. Só de… hã… new rave tem várias. Tem até electrorock no Hangar 110, tempo do punk hardcore sujinho. Um lugar como o CB tem música boa (para nós) e comida genial, junção nunca imaginável anos atrás. As principais bandas de outros estados ou vêm morar aqui ou passam largas temporadas aqui. O mesmo acontece com DJs, falo os de rock-indie rock-electro-rock. (…) Mas a Barra Funda é nosso Williamsburgh. Tem rock tosco, electro-rock fino e indie-MPB. A cena pulsa demais mesmo não saindo na imprensa grande, até porque não precisa. Os blogs, muitos, são legais e dão conta do recado. Aqui tem para todo mundo: do GuiFest, o festival do Gui, até o Tim Festival. A alma é de Nova York 2001/2002.

O texto é da coluna do Lúcio Ribeiro da semana passada, comentando sobre o amornamento da cena indie/underground/alt em NY e o amadurecimento em Sampa. Baseado nos argumentos do cara, podemos fazer um paralelo interessante aqui para Curitiba. Tá certo que não temos o mesmo número de baladas e de lugares para ir que existem em São Paulo, mas o que não pára de aparecer são festinhas rock-electro-indie no Wonka, James, JPL e afins. Até Tim Festival com as principais atrações nós temos. E se eles lançaram o CSS, nós lançamos o Bonde do Rolê.

Mas também temos outro lado a analisar: o Curitiba Rock Festival morreu após três edições, o Nico fechou mesmo lotando seguidos fins de semana e está duro de alguém realizar um show grande por aqui ou trazer DJ gringo que não seja de house. Se fala muito em autofagia da cena, com aquela característica de falar mal de onde se vai (falar “indie”, então, virou palavrão) até a atuação de hipsters (povo que vai no embalo da moda – também assunto da coluna do Lúcio e do blog da Ana Carolina Monteiro). Mas o fato é que, mesmo com “preconceito”, pelo número de muderrrnos que se vê por aí, é estranho que não tenhamos mais lugares/eventos para esse povo freqüentar.

Aí o Gil Riquerme toca na festa da Puma em pleno Bufet do Batel no último fim de semana e me diz que 3,5 mil pessoas passaram por lá. Curioso.

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Já na ponta mais roqueira da cidade, as coisas parecem estar um pouco melhores. O Paulo Dalla Stella, dono do Porão do Rock, está fazendo um burburinho interessante. Depois de criar uma revista – a Bandas Curitibanas, para divulgar as, hã, bandas curitibanas – o cara criou o projeto Ascende Curitiba, para ajudar no crescimento da cena e na sua inserção no mercado (ponto importantíssimo para manter o que se criar de pé, já que o povo por aqui não escuta/não se interessa pelo que é feito nestas bandas). O projeto até já tem reuniões periódicas que tem sido realizadas no Porão Rock Club (sendo que a próxima acontece terça-feira, dia 10 de julho).

Publicado por Diogo Dreyer

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