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Me sinto na obrigação de escrever alguma coisa antes que o Diogo tome conta de vez da parada! Ok, ok, a idéia do blog foi dele, mas não por isso o musicness vai ficar com cara de “Hang The DJ – O Retorno” né…

Assim, para começar a dar uma cara mais eletrônica por aqui, aproveito que o Diogo fez um apanhado geral do que anda acontecendo pelas bandas do rock-indie-electro da cidade, e arrisco dizer que se somarmos aí a quantidade de opções em termos de música eletrônica disponíveis hoje, Curitiba vive, provavelmente, um dos seus melhores momentos.

É claro que os mais nostálgicos (a-ham, Raul?) irão falar que tempos de Legends, Circus e Rave foram inigualáveis, etc, etc, etc. Mas lá se vai quase uma década de quando dois clubes polarizavam ao melhor estilo “mainstream vs underground” a cena eletrônica de Curitiba (então cidade quase interiorana com pouco mais de 1 milhão de habitantes). De lá pra cá a cidade conseguiu, a duras penas, se consolidar como um dos poucos lugares do país com boas opções em clubes, festas e DJs, que resistem à sazonalidade e modismos.

A não muito tempo atrás amigos de Porto Alegre se queixavam que, depois do fechamento da Spin, a cidade ficou órfã de clubes. Curitiba, depois de uma longa ressaca pós techno seguida de uma febre-psy, finalmente pareceu encontrar um meio termo: hoje tem clubes para todos os gostos e cada vez recebe mais DJs .

Vamos lá: além da Vibe, clube que no fim do ano completa 6 anos, EON e Liqüe oferecem programação semanal de qualidade. A maioria é de house/electro, é verdade, mas nomes de minimal e techno aparecem com frequência. Detalhe: DJs gringos que antes vinham a cada dois meses para a cidade hoje são presença quase semanal por aqui. Campo Largo continua com a Beats trazendo esporadicamente boas festas. Além dos clubes, é difícil um bar/pub/lounge que não tenha algum DJ tocando, em qualquer dia da semana. Tive a boa surpresa de, ao sair de um aniversário em uma fria quarta-feira, encontrar o JPL cheio, assim ficando até quase 02:00hrs da madrugada. DJs tocando house e pista fervendo, acredite…

Falando em DJs, chega a ser engraçada a quantidade imensa de novos disc-jockeys pela cidade. Empunhando cases de CDs, ou até mesmo laptops, Curitiba tem hoje pelo menos uma centena de novos DJs, a grande maioria saída das salas da AIMEC. São eles os responsáveis pelos projetos que pipocam semanalmente em bares e clubes menores pela cidade afora.

Paralelamente a isto, o psy trance ainda domina os line-ups de grandes festas, e a cidade só se ressente mesmo é de um grande festival que aglutine outros estilos. A experiência do Creamfields não foi aproveitada e Curitiba perdeu uma ótima oportunidade de contar com um grande festival, mas a lacuna está aberta e dificilmente irá ficar assim por muito tempo.

Provavelmente ainda é cedo para dizer que o ranso provinciano já não paira mais sobre a cidade, afinal como o Diogo já comentou, autofagia e até mesmo um certo deslumbre ainda são comuns por aqui. Mas pelo menos a cada dia que passa a cidade mostra capacidade de se reciclar, e mesmo estando perto demais de centros como São Paulo e de pólos de entretenimento como Santa Catarina, sempre encontra as suas próprias opções.

Ao som de: Gregor Tresher – A Thousand Nights (http://myspace.com/gregortresher)

Foto: Rua XV, então Av. João Pessoa, década de 70 (Curitiba) – Arquivo de Angel Inoue

Publicado por João Anzolin

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