Tá. Achei pertinente o texto do João. Mas será que Curitiba é mesmo uma ex-província? Eu ando sentindo uma modorra naquilo que a gente chama de “underground” curitibano. Acho que está tudo muito ocioso, burocrático, sem graça. Falta “freshness”, faltam novidades, falta aquela excitação que acontece na gente quando estamos diante de algo “novo” e empolgante. Falta aquele “esbugalhar os olhos”, aquele “Uau!!”. Não acho que no underground curitibano [agora em 2007] as coisas estejam às mil maravilhas. Muito pelo contrário. Há falta de novidades sim.

Enquanto isso no mainstream as coisas vão bem. Com grana pra poder financiar bons DJs, a “cena” maistream se farta de festas e atrações [muitas vezes duvidosas] em line ups às vezes acertados e às vezes equivocados. Mas enfim… a coisa toda está acontecendo e eu não posso reclamar disso, mesmo porque tenho frequentado cada vez mais essa cena.

Mas nesse post eu pego no pé do “underground” mesmo. Que aconteceu? Tenho verificado com o passar dos anos um aumento substancial de núcleos de festas, coisa que em 2001, 2002 não existia. Quer dizer… Temos “n” núcleos de festas, temos “n” DJs, “n” promoters, 4 ou 5 locais pra festas, mas e aí? Porque tudo parece tão rançoso, tão igual, tão datado? Porque o público virou fumaça? Onde as pessoas estão indo se divertir?? Alguém aí me avisa, porque não quero ficar de fora, hein!

Certa vez li uma entrevista muito bacana que meu ídolo-mor James Murphy concedeu pro Tiago Ney [Folha de São Paulo], e acho pertinente transcrever aqui, pois tem muito a ver com o que escrevo nesse post:

Folha – Qual é a sua idéia de boa festa?

Murphy – Festa com música boa. Pode ser um DJ de tecno, de house, de disco music ou alguém que toque várias coisas. Alguém que realmente goste do que esteja tocando, e não um DJ que faça isso porque vai parecer cool ou coisa parecida. Alguém que te faça ouvir música de maneira diferente. Na DFA, nunca tivemos a pretensão de criar um novo gênero, que já nasce chato e ultrapassado. Nos interessamos tanto por Carl Craig quanto por The Clash, ou Larry Levin, Malcolm McLaren. Música que flua, que não seja estática.

Folha – Em “Losing My Edge”, você brinca com músicos e fãs esnobes, que dão muito valor ao que é underground, que se subdividem em várias tribos. Isso parece acontecer bastante hoje, tanto no rock quanto na eletrônica…

Murphy – Isso sempre aconteceu. A cena underground sempre foi cheia de esnobes. Se você tiver que definir o que é o underground, diga que é algo cheio de esnobes. Não que seja bom ou ruim, mas é o que acontece. Eu também sou assim, de certa forma. Mas não quero julgar ninguém. Gosto de pessoas que correm riscos. É isso que às vezes me irrita nos indies. Eles parecem ter medo de correr riscos.

Folha – Depois que você iniciou a DFA, há alguns anos, muito se falava sobre disco punk, sobre a cena musical de Nova York. Como está essa cena hoje?

Murphy – Bem ruim. Acho que as pessoas são muito preguiçosas. Acho que Nova York está em uma fase ruim, mas isso pode até ser saudável, pois ajuda a impulsionar algo novo. Em 1998, quando a DFA começou, era assim também. Era uma época com tantos DJs e promotores chatos que fazer algo novo não era muito difícil. Eu, com 36 anos, na verdade já deveria estar ultrapassado…

Folha – Você se sente velho com 36 anos?

Murphy – De certa forma, sim. Acho que esse espaço deveria ser ocupado por gente mais nova e interessante, mas não sei onde elas estão. Fico imaginando onde estão os mais novos, que vão nos dar um chute no traseiro. Porque eu estou pronto para ser derrotado, para ser derrubado. Se é para dar lugar a algo melhor, tudo bem, eu aceito a derrota.

Folha – Há DJs e produtores, como François Kevorkian, que têm mais de 50 anos e continuam tocando…

Murphy – Sim, mas ele é uma instituição. Eu ainda não sou uma instituição. Acho que deveria aparecer alguém de 23 anos para nos tirar daqui

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Então a questão é: Se estamos vivendo uma fase “down” no ciclo das coisas; o lance é esperar pra ver o que acontece? Ou ir à luta, acreditando que podemos fazer alguma diferença?

Publicado por Gil Riquerme

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