In Our Bedroom After the WarA primeira vez em que ouvi a banda canadense Stars foi seguindo uma dica do Gui Barrella, que nos idos de 2000, 2001, escrevia o Next++, o informativo via e-mail da finada Bizarre Records. A loja paulistana foi onde adquiri meus primeiros discos importados com o minguado salário de jornalista (isso enquanto ainda comprava discos).

O álbum em questão era Nightsongs, que é até hoje, um dos meus orgulhos no quesito obscurantismo. E isso é muito legal! Porque quando eu digo, “ô, ouve aí este troço que ninguém conhece”, todos esperam que, naturalmente, por desconhecido, o som será bateção de prego mixado com choro de bebê lituano. E é o máximo ver a cara de espanto das pessoas quando percebem que o som é pop dos mais bacanas.

Tão bacana que Nightsongs acabou por se transformar num dos principais discos que tocavam nos chillouts e afters que meu amigo Heros Schwinden promovia na sua mitológica sala de estar de 700 metros quadrados, local onde, um belo dia, por intermédio de uma amiga, acabei conhecendo o próprio Gui Barella, que ficou emocionado quando o agradeci por ter trazido o Stars para minha vida.

Por situações mágicas como essa estranho que, apesar de terem um número relativamente grande de seguidores fanáticos, especialmente no Canadá, a discografia do Stars não tenha encontrado o sucesso de artistas semelhantes como o Thievery Corporation ou o Broken Social Scene.

Mas, talvez exatamente por esse motivo, fosse inevitável que algo assim acontecesse: apenas quatro dias depois de terem terminado seu quarto disco, In Our Bedroom After the War, as faixas, veja você, caíram na internet. E apesar disso, tanto a banda como a gravadora mantiveram a data de lançamento do disco “físico” para 25 de setembro (isso lá no hemisfério norte, claro), aparentemente não se importando com o fato de perderem alguns tostões em venda.

E o novo álbum tem tocado já há alguns dias seguidamente no meu iPod. Mesmo sem grandes novidades, o disco mostra o Stars polindo seu som à perfeição. O indie pop sinfônico do grupo está mais adorável do que no disco anterior, Set Yourself on Fire, de 2005, e apesar de guitarras mais salientes e por vezes vocais mais “black”, os discretos elementos eletrônicos continuam florescendo. E a combinação das vozes de Amy Millan e Torquil Campbell segue tão confessional e íntima como foi na primeira vez em que ouvi a banda. Como sempre, o Stars mostra um disco encantador.

Stars – The Night Starts Here

Em tempo – dia destes descobri que no início do ano os caras lançaram Do You Trust Your Friends?, disco com remixes e reinterpretações para algumas de suas faixas feitos por chegados da banda como The Dears, The Russian Futurists e Junior Boys. Vale uma ouvida, mas se você não conhece Stars ainda, deixe para mais tarde.

Postado por Diogo Dreyer

Anúncios