*Demorou, mas finalmente faço minha estréia aqui no blog. O post ficou um pouco extenso, mas prometo que não vou me exceder tanto nos próximos. Confere o texto aí.

Quando Chico morreu – só para lembrar, para quem é da minha geração, Chico de verdade é o Science (pelo menos deveria ser), não aquele sessentão de olhos verdes (a quem respeito, mas não escuto faz tempo) que ainda faz a mulherada suspirar –, o pessoal da Nação Zumbi ficou por um tempo sem rumo, pois o grupo perdeu o cara que indicava o norte para todos, os caminhos a seguir.

Uma década depois do baque – Chico sofreu o acidente fatal em 2 de fevereiro de 1997 –, a Nação deu a volta por cima lançando ótimos discos, provando que não era apenas o vocalista sua mola propulsora e consolidando-se com uma das melhores e mais importantes bandas nacionais – no palco, é quase imbatível, apesar de não ter a mesma vibração dos shows com Chico (algo praticamente insuperável), o som ainda continua poderoso.

Por isso, Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Pupillo, Toca Ogam e Gilmar Bola Oito (o famoso Boina do campeonato Rock Gol) partiram agora para colocar no mercado os projetos paralelos que já vêm tocando há alguns anos.

capa-maquinado.jpgNo mês passado, Maia lançou, via Trama, o CD Homem Binário, de seu projeto Maquinado – tocado ao lado de Toca Ogam e Dengue, brothers da Nação, e do DJ PG. Quem esperava um disco de virtuose – Maia é excelente guitarrista, reconhecidamente um dos melhores do país – deve ter se surpreendido com a economia nas guitarras e a investida nos sons mais eletrônicos, com muito groove, e adicionando pitadas de rap, música regional e rock. O ótimo registro, um dos melhores do pop-rock nacional deste ano, se destaca pela grande quantidade de convidados: Mombojó, Gustavo Black Allien, Instituto, Mamelo Sound System, entre muitos outros. O show já passou aqui por Curitiba, no Era Só o Que Faltava.

3-na-massa.jpgDengue, Rica Amabis (do Instituto) e Pupillo (na seqüência na foto) também apresentaram, em julho, o disco do projeto 3 na Massa, com uma sonoridade bossa nova e interpretações sensuais de vocalistas convidadas, entre eles a cantora CéU e as atrizes Thalma de Freitas (que também canta na Orquestra Imperial) e Karine Carvalho (esta, a senhora Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, com a qual tenho um episódio divertido e meio surreal numa entrevista, e que posso revelar em um outro post, se houver pedidos).

capa-autonomo.jpgJá Du Peixe (foto) investe em experimentalismos no solo Autônomo e em Capenga Sangle, projeto que comanda ao lado de Berna Vieira (do Bonsucesso Samba Clube). O som de ambos os trabalhos é claramente viajandão, focado apenas no instrumental de beats eletrônicos, percussão e alguns outros instrumentos. Talvez mais conhecido do público seja os Los Sebosos Postizos, em que o pessoal da Nação interpreta músicas antigas e clássicas do mestre Jorge Ben (de bem antes dele ser Jor). Mas ainda tem o Pra Mateuz Poder Dançar, de Toca Ogam e Marcos Matias (percussionista que acompanha a Nação), e a Orquestra Manguefônica, formado em conjunto com o mundo livre s/a para relembrar os clássicos do manguebit.

Os projetos dos integrantes da Nação revelam uma característica notada recentemente no pessoal que trabalha de forma independente no Brasil, à margem das gravadoras: o sistema de coletivos, reunião de bandas e músicos em vários projetos, com participações mútuas – você faz um som no meu disco, toca uma guitarra, que eu produzo uma faixa do seu CD, e por aí todos vão se unindo e apresentando cada vez mais trabalhos.

O combo Instituto, revelado na trilha sonora do filme O Invasor e parceiros da Nação Zumbi, e o projeto + 2, de Kassin, Domenico e Moreno Veloso, são alguns dos exemplos mais destacados de coletivos, mas as armações desse tipo estão pipocando aos montes, é só conferir na rede.

Vale conferir as páginas de Maquinado, 3 na Massa, Los Sebosos Postizos, Autônomo e Capenga Sample no MySpace.

Postado por Rudney Flores

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