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Alguns colecionam, outros lêem e deixam um tempo guardado antes de se livrar deles, mas a grande maioria das pessoas simplesmente dá uma olhada rápida e joga fora na hora. Os flyers, estes pequenos (ou nem tanto) pedaços de papel destinados a divulgar eventos já são uma espécie de símbolo da vida noturna, e mais especificamente no Brasil, da cena eletrônica.

Chega a ser curioso perceber como eles absorvem com extrema fidelidade a idéia por trás dos eventos que anunciam, a ponto de ser possível identificar quase que sem ler sequer uma frase a mensagem que o flyer realmente quer transmitir. Separei abaixo alguns dos padrões mais comuns das filipetas encontradas hoje nas grandes cidades brasileiras:

– Psy-Flyer: poluição visual é a palavra. Cores vibrantes, fundos que remetem à mandalas, textos beirando o fluor e muitas informações e fotos em pouco espaço. Possuem mapas e fotos de lagos e chácaras, e apesar de muitas vezes fazerem referências a termos indianos como Shiva, Ohm ou coisas parecidas, os flyers da cena de psy estão mais para um cartaz de filme de Bollywood. Haja p.l.u.r para digerir tanta informação. Erros de português são comuns por aqui. Onde você encontra: casas de produtos naturebas/macrobióticos, lojas de artesanato indiano, academias de ioga, lojas de surf.

– Techno-flyer: quase em extinção, é facilmente reconhecível. Fotos de DJs fazendo cara de mal/louco e/ou de braços cruzados, 90% das vezes em um fundo negro e com letras brancas. Sem frescura, tal qual uma martelada. Onde você encontra: lojas de vinis, lojas de roupas descoladas em galerias undergrounds de sua cidade.

– Low-profile-flyer: sabe aquela festinha que está começando agora em aquele clube pequeno e desconhecido e com DJs iniciantes? Pois então, os flyers destes eventos são quase artesanais: um dos caras que está fazendo a festa desenha no Photoshop alguma coisa em 5 minutos e imprime uma matriz, que será fotocopiada em preto e branco e distribuída por ele mesmo pela cidade. De tão low-profile quase ninguém vê estes flyers. Onde você encontra: bares e botecos, no balcão do xerox da faculdade.

– Jet-set-flyer: eventos destinados aos endinheirados e (nem sempre) bem nascidos tem flyers que são um luxo. Letras corridas ou em uma fonte chiquérrima, papéis com trabalhos gráficos diferenciados, com fotos de paisagens paradisíacas ou fotos noturnas de um lugar como Manhatan ou Tokyo. As fotos dos DJs são caprichadíssimas também, remetendo à catálogos de moda. Normalmente vem com um quadradinho com preços de pacotes para o final de semana para a festa e a pré-festa, cotados em dólar, claro. Onde você encontra: boutiques, lojas descoladas, concessionárias de carros importados, restaurantes que disponibilizam mais de 5 tallheres e 3 copos por pessoa na mesa.

– Balada-gringa-flyer: intermediário entre o Jet-set-flyer e o Big-Djs-flyer (abaixo), normalmente estes flyers anunciam “future DJ heroes” nas palavras de algum já DJ-heroe. Destaca que tem área V.I.P. para agradar o pessoal do jet-set mas ao mesmo tempo coloca os preços não tão caros dos ingressos para mostrar que a patuléia pode ir, sim. Onde você encontra: academias de ginástica, lojas de shopping, lounges, na porta ou no vidro do seu carro.

– Big-DJs-flyer: estes são clássicos, e também poderiam ser chamados de onipresente-flyer. Normalmente em tamanho grande e feito de papel pesado, anunciam aqueles “seleto grupo de DJs que faz parte” (exatamente nestas palavras) de alguma lista de “top” alguma coisa, com dezenas de indicações a prêmios e um currículo de produções para Madonna ou o U2. Fotos imensas e adjetivos superlativos, é certa a presença de referências como “lenda viva”, “o maior”, “de todos os tempos” etc., etc., etc. Patrocínios gordos principalmente de marcas e operadoras de celular costumam bancar zilhões de flyers assim. Onde você encontra: em todos os lugares que você encontra os flyers acima, além deles aparecerem na sua caixa de entrada de emails e te perseguirem meses depois que o evento já foi realizado.

Publicado por João Anzolin

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