Se você é um ávido garimpador de novidades musicais deve passar por um fenômeno semelhante ao que acontece comigo: vira e mexe meu HD fica cheio de músicas de bandas que, segundo os blogs indie e a imprensa mais antenada, são a última pitada da graça que Deus espalhou pela Terra para lembrarmos de sua grandiosidade, mas que na hora em que topamos com elas, não empolgam nada e dificilmente passam por mais de três audições.

Confesso, porém, que não é raro que isso implique em muitas injustiças. Lembro de não ter achado grande coisa quando ouvi Arcade Fire e TV on the Radio pela primeira vez. Por isso, deixe de lado o preconceito e dê uma conferida nesse The Weekend Shuffle Mix que traz as bandas indies mais incensadas no mundinho blogger e descolado e tire suas próprias conclusões.

A primeira novidade se chama A Place To Bury Strangers, vem de Nova York, mas parece ter uma adoração tremenda pelos irmãos Jim e William Reid, tanto que o álbum parece ser de inéditas do Jesus and Mary Chain. A semelhança é incrível e o disco homônimo dos caras é denso e barulhento pra caramba, devendo agradar os nostálgicos de plantão. Por falar em nostalgia, o figura Josh Ritter está com disco novo, The Hystorical Conquests of Josh Ritter. Ritter é um baita músico e nesse álbum traz um balaio de gato de referências rock sessentistas bem convencionais. Disquinho gostoso e sem surpresas.

Na contramão do óbvio vem o pessoal do Animal Collective, que com seu Strawberry Jam prova que indie americano gosta mesmo de bizarrice, experimentação e capas bem feias. Tudo bem diferente dos ingleses. Ou seja, o álbum é legal e tal, mas não se impressione se daqui a três meses você não lembrar mais dele. Essa avaliação serve quase que igualmente para os discos novos do canadense Caribou (aka Daniel V. Snaith) e dos australianos do Architecture in Helsinki, intitulados, respectivamente, Andorra e Places Like This. O primeiro com uma pegada mais eletrônica e o segundo misturando de batuque aborígene até furadeira.

A próxima banda da lista do TWSM dessa semana se chama Pinback. Vem de San Diego e, apesar de não ter muita visibilidade no Brasil, é uma das bandas “alternativas” que mais tem fãs na Califórnia, vindo da mesma escola musical do Dandy Warhols. O site deles, decorado com o tema do disco novo, Autumn of the Seraphs, ficou bonitão e vale uma visita.

O Mix tem ainda o Probably Vampires, banda dona do nome mais legal do ano e que nem disco tem ainda, o Okkervil River, que faz um sonzinho bem honesto mas deveras superestimado com seu The Stage Names, e o Black Lips, garotada que andou muito de skate e que ouviu Sex Pistols demais até lançar Good Bad Not Evil.

O TWSM traz também faixas dos discos novos do The Go! Team (Proof of Youth), Super Furry Animals (Hey Venus!) e da PJ Harvey (White Chalk). O álbum da moça até merece um aparte, já que ela abandonou as guitarras, adotou o piano e parece estar pleiteando uma vaga no Portishead. Disquinho prá lá de deprê.

MP3 – A Place To Bury Strangers | Don’t Think Lover
MP3 – Josh Ritter | Rumors
MP3 – Animal Collective | Peacebone
MP3 – Caribou | Melody Day
MP3 – Architecture in Helsinki | Heart It Races
MP3 – Pinback | Good To Sea
MP3 – Probably vampires | Every Single Time (via musicforants.com)
MP3 – Okkervil River – Unless It Kicks (via musicforants.com)
MP3 – Black Lips | Cold Hands
MP3 – The Go! Team | Doing It Right
MP3 – Super Furry Animals | Neo Consumer
MP3 – PJ Harvey | The Devil

Postado por Diogo Dreyer

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