Você sabe que vêm um senhor show pela frente quando a única forma de conseguir o ingresso é comprando de um sujeito que não conseguiu ingresso para a namorada.

Você percebe que a noite pode ser algo especial quando na entrada uma francesinha bonitinha está oferecendo camisetas de graça da turnê.

Você se toca que está no lugar certo quando o DJ Mehdi, responsável por abrir o show, toca uma seqüência de remixes absurdos de LCD Soundsystem, Gossip, M.I.A, Simian Mobile Disco, Digitalism e encerra com uma versão magnifica de My Moon My Man, da Feist. A lotada pista acaba eufórica, suada, sem ar e no ponto para a atração principal.

Gaspard Augé e Xavier de Rosnay entram em cena, iniciam os trabalhos com Genesis e acendem a cruz. Justice acabara de começar e só pararia pouco mais de uma hora depois.

Justice at Neumo’s – Seattle (12/10)

Reinventando todas as suas músicas, ninguém fica parado. A catarse é tanta que o próprio chão pula junto com nossos pés. A cruz apaga, quatro holofotes iluminam um globo, a platéia tem dois segundos de descanso quando lá no fundo uma voz se ouve: “Do the D.A.N.C.E. 1, 2, 3, 4, fight“. Fim do descanso e novamente todos estão se acabando na pista.

O show segue essa linha aeróbica de pula, respira, pula, respira, pula. Atiram um hit atrás do outro e, no fim, uma contagem regressiva põe fim aos trabalhos da banda. Ainda fizeram um bis “mash-upando” The Party com Master of Puppets, do Metallica. Seria o fim… seria.

Justice at Neumo’s – Seattle (12/10)

Mais da metade da platéia se dá por satisfeita e vai embora. Na programação, o DJ Mehdi voltaria à mesa e seria responsável por levar os sobreviventes até o fim da noite. Ele volta, e recomeça seu set. Dez minutos depois, a metade do Justice formada por Xavier de Rosnay resolve entrar na brincadeira e assume junto com Mehdi o som. O que era um show de ingressos esgotados se torna uma festa privada com dois DJs disputando quem consegue colocar a melhor música. A zoação é clara, e com isso o som varia de Supertramp e Can’t Take My Eyes Off You à Queens of Stone Age e Rage Against, passando por Franz Ferdinand, Strokes, Bloc Party e sabe-se Deus mais o que. Uma hora depois a festa se encerra, Mehdi deixa a mesa e vai pra pista, enquanto Xavier fecha a tampa com We Are Your Friends e Girls & Boys, do Blur.

Saio dali com um sorriso de orelha a orelha e fico pensando no coitado que me vendeu o ingresso. Espero, de coração, que sua noite tenha sido tão boa quanto a minha.

Texto enviado por Rodrigo Hermann

Fotos por Russ, via flickr

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