Thom YorkEsperei uma semana para escrever sobre In Rainbows, o novo disco do Radiohead. Não queria que apenas a empolgação de falar de um novo trabalho da banda fosse o mote da resenha. Contudo, sete dias depois, minha avaliação não ficou mais fria ou diferente do que seria após a primeira audição. Pelo contrário, quanto mais ouço o novo trabalho dos caras, melhor fica.

Claro que essa avaliação é quase chover no molhado. Não encontrei alguém que tenha desgostado do disco. De minha parte, havia uma grande ansiedade para ouvir o álbum. Acordei cedo na quinta-feira passada, segui as instruções do download e baixei os 48,4MB pelos quais havia pago 5 libras.

Uma pá de gente achou ruim os arquivos MP3 virem com um bit rate de 160 Kbps. O blog Idolator chegou a especular que o fato das faixas serem disponibilizadas com essa compactação se devia a uma tentativa da banda evitar que o álbum fosse parar no Oink, uma vez que o tracker privado de BitTorrent especializado em música impõe como condição que todos os arquivos de áudio disponibilizados ali possuam pelo menos uma qualidade de 192 KBps.

Mas os consumidores descontentes esqueceram o fato de que você podia pagar o quanto quisesse pelo disco. Incluindo aí nada, zero, niente.

Ouvindo

Surpresa e alegria descrevem bem o que senti ao ter contato com o álbum. As guitarras, se não em todas as faixas, mostram as caras novamente. Thom York, se ainda não é o cara mais feliz do mundo, ao menos está bem menos depressivo e mais suave no novo trabalho. As letras, em compensação, continuam um tanto atormentadas.

In Raibows traz momentos maravilhosos, como a faixa Weird Fishes/Arpeggi, e também mergulha nas estranhezas pop, trilha iniciada pela banda com os discos Kid A e Amnesiac, e que repete tão bem desta vez com a faixa Nude. Mas a principal diferença é que agora o Radiohead parece não querer afastar o fã comum, da fase The bends, aquele cara não interessado em experimentações ousadas. Mesmo assim, In Rainbows demanda dedicação e tempo para ser inteiramente degustado.

De qualquer forma, os números ilustram melhor a aceitação: no Last FM, as dez faixas da lista das dez músicas mais tocadas na estação virtual são de In Rainbows.

Polêmica

A forma de venda do disco também está dando bastante o que falar por aí. Um monte de gente vibrou com a idéia de vender diretamente o disco via internet, outros tantos estão torcendo o nariz.

Segundo o periódico The Daily Telegraph, o Oasis está pensando seriamente em lançar seus próximos trabalhos de modo bastante parecido.

Já o baixista do Editors, Russell Leech, por exemplo, disse que não estava muito impressionado com a estratégia. “Acho que se o Radiohead quisesse ser realmente esperto, eles deixariam primeiro as pessoas ouvir o disco para então decidir o quanto quisessem pagar”. Hã?

De qualquer forma, muita gente parece querer ouvir antes para pagar depois. Inevitavelmente, uma hora depois dos primeiros downloads oficiais na última quinta, o disco já estava disponível em trackers de BitTorrent e sites como o RapidShare. Segundo a empresa Big Champagne, que monitora os downloads ilegais mundo afora, o número de pessoas que baixou o disco ilegalmente superou o de compradores, algo na casa dos 100 mil ilegais por dia.

Ok, mas será que o Radiohead não esperava que isso fosse acontecer? Apenas nos quatro primeiros dias em que o disco esteve à disposição, segundo o Gigwise, foram feitas 1,2 milhões de compras, com valor médio de U$ 8. Nove vezes fora, na cotação de hoje, os U$ 9,6 milhões arrecadados, valem R$ 17.318.400. Acho que vale a pena esse “troquinho” aí, já que de uma forma ou de outra o disco iria cair na rede. A vantagem, diria eu, é que a merreca vai toda para a banda, sem ter que dividir o lucro com a gravadora.

Postado por Diogo Dreyer

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