Anote esse nome: The Twelves. Anote e vá o mais rápido possível ver alguma apresentação deles por aí, enquanto os moleques ainda dão as caras no Brasil. Porque daqui a um ano, quando você ler alguma coisa sobre eles serem atração de algum mega-festival inglês ou americano, vai se lembrar que os viu antes e vai sentir uma ponta de orgulho disso.

The Twelves

O zumzumzum que envolve o duo João Miguel e Luciano Oliveira não é à toa. Prova disso é o que se viu no último sábado (20/10) durante a apresentação dos cariocas na Digital Rock. Foi um desfile de queixos caídos e bocas abertas de espanto e satisfação. A pista do Oxxy estava infernal: beirava os 50ºC, mas acho que os felizes presentes ferveram mais devido ao som da dupla, uma espécie de live P.A., DJ set, mashu-ups e bom gosto digno de dar inveja a Erol Alkan. Remixes corajosos de Justice, releituras de Erlend Oye e New Young Pony Club, e, claro, a faixa Boyz, criada pela singalesa M.I.A., mas feita famosa pelo Twelves. “Pois é”, gritava a pista.

A explosiva combinação saía de um pequeno laptop manuseado com alegria vivaz que se percebia pelo balanço da dupla, que acompanhava pra lá e pra cá as batidas perfeitamente seqüenciadas durante a apresentação. 2 Many DJs e Simian Mobile Disco fazendo escola.

Pobre Diplo. Atração principal da noite, pediu para tocar após a dupla. Também queria ver do que se tratava toda essa falação sobre os caras que remixaram sua ex-namorada. Ficou em pé, aguardando sua vez para tocar com cara de poucos amigos e certamente pensando em que coelho teria que tirar da cartola para superar o espetáculo que presenciava.

Sujeito escolado que é, tirou de letra. Montou seu Final Scratch, pôs a funcionar seu laptop (quem ainda precisa de vinil?) e em 20 minutos de funk carioca da gema ganhou a simpatia de meia centena de indies bêbados que culpavam o calor infernal pela estado etílico avançado. Admito, porém, que também gritei e pulei com Technotronic e seu Pump Up The Jam e os nossos moleques saidinhos do Bonde do Rolê (ah, vocês não acharam que Diplo viria a Curitiba e não homenagearia sua cria, não é?).

Ferveção na pista

A noite ainda teve a estréia do Our Gang, banda dos remanescentes da curitibana E.S.S., que emprestou ainda os falsetes da Ju Girardi em algumas faixas. Muita gente esperava para ver os caras, muita gente curtiu. Mas o que era o som? Space disco? French House? Ou como já usou Raul Aguilera para classificar o Midnight Juggernauts, indie-electro-act? Deixa essa geléia cair no Myspace

Quer mais? Teve o curitibano Péricles na sua faceta de Bo$$ in Drama. Mais um laptop, mais remixes: Killing the Dance (música própria do Bo$$, que eu achava ser um remix do Kanye West) do Kanye West, Bitch you up, do Yo majesty. A apresentação do moleque é killer, mistura interferências vocais, maximalismo, batidão e muita desconstrução. Não ganhou a atenção merecida porque fechou a pista, já no fim da festa. Mas, quem sabe, um dia você cruza com uma apresentação do guri quando der um pulo em Reading.

Postado por Diogo Dreyer, fotos por Narah Julia.

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