Arquivos para o mês de: novembro, 2007

E o Musicness está de mudança!

Desde 5 de novembro o blog está no rraurl, que por sinal desde maio deste ano está dentro do portal UOL.

Anotem o novo endereço, coloquem nos “favoritos”, mudem o RSS, mas não deixem de nos visitar na nossa nova casa, afinal o conteúdo será o mesmo, com a facilidade de navegar também em um excelente site de música:

www.rraurl.com.br/blogs/musicness ou rraurl.uol.com.br/blogs/musicness.

PS – Temporariamente, ainda vamos postar aqui no wordpress.

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Como já disse Diogo Dreyer no post anterior, a organização do Tim teve uma sorte dos diabos com essa edição em Curitiba. Depois de chover pipas na segunda e na terça, o tempo estabilizou na quarta-feira do evento, deixando o tempo numa temperatura ideal pra se jogar na Pedreira Paulo Leminski.

Claro que a gente tinha que se atrasar e perder o show dos Hot Chip (que era quem eu estava mais curioso pra ver como se sairiam com o nosso público, que praticamente desconhece essa banda).

Diva para o século 21

Quando Bjork entrou no palco, várias cenas surreais: as pessoas que estavam na parte de trás do público começaram a atirar pra frente as pulseirinhas flúor que foi dado como brinde na entrada do festival, fazendo chover multicolorido na frente do palco, tipo chuva New Raver inédita, combinando com o que viria depois, comandado pela islandesa mais maluca do show business dos últimos 10.000 mil anos de história da nossa civilização.
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Uma fanfarra em uniforme vermelho e bandeiloras no alto de cada cartola que os componentes usavam, desfila pelo palco, criando abertura solene pra deusa nórdica. Que depois ia soltar todos os bichos. E que bichos. Dizem que Bjork é baixinha, e olhando de longe parece mesmo. Mas como ela se agiganta no palco! Uma das melhores presenças que já ví até hoje. E o próprio palco, enfeitado nos fundos com flâmulas de bichos exóticos, tipo salamandra, lagarto, peixes, dava um clima de realeza pós-moderna, aliás tudo a ver com o visual da cantora, que usava uma bata verde e tinha um adereço multicolorido nos cabelos. Com cores e desenhos que vão do tropicalismo à new wave/new raver, ainda sobrava espaço para referências tribais. Eu me pergunto de onde vem tanta idéia nova e interessante no visual da cantora? Definitivamente coisas estranhas devem se passar na cabeça dela.

Os arranjos de todas as músicas foram praticamente refeitos, deixando tudo mais sujo, barulhento, industrial até. Ajudou o fato do produtor-monstro-da-eletrônica Mark Bell manipular o Reactable ao vivo, instrumento esse que é objeto de desejo de 10 entre 10 gadget-maníacos da eletrônica. Hits? Alguns. Joga, Hunter e outros títulos que vou ficar devendo. Estava tão absorto pela performance e pela conjunto total do show que não anotei nada. Nem mentalmente. Isso fica pros outros reviews, afinal esse aqui é mais emocional do que técnico.

Depois de uma hora e vinte minutos de xamanismo viking no palco, Bjork encerrou o show num bis onde a última música cantou rodeada pela fanfarra. Ela e os metais. Só. E depois, saiu. Linda.

Mais do mesmo

Quarenta e cinco minutos pra trocar o palco. Demais, não? Claro que os Artic Monkeys entraram atrasados, mas não impediu de acordar o povo que ainda tava chocado com o show anterior. Os meninos do AM são estilosos (minha amiga Angel babou nos cabelos e nos jeans deles), tocam bem e tal. Mas eu como não conheço nada deles, nem sei quais são seus hits, fiquei assistindo tudo com cara de paisagem… lá longe dava pra ver uma parcela do público levantando os braços ritmadamente. Acho que tavam tocando alguma música conhecida dos fãs internéticos. Só pode ser isso, afinal eles não tocam na rádio nem na novela. Sinal dos novos tempos. Ídolos virtuais, agora reais na belíssima locação da Pedreira de Curitiba.

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Se os Macacos Árticos fizeram um show na meia bomba, a próxima atração, The Killers entraram com o gás todo. O palco, numa cenografia que lembrava luzes de Natal (tinha até um pinheirinho iluminado no meio!) foi melhor preenchido do que na atração anterior. O som potente e encorpado da banda conquistou a platéia nos primeiros riffs. Mais braços erguidos, socos ritmados no ar. E lá pelo meio entra “Somebody told me” pra alegria do povão. E foi isso.

Cúpula dos deuses

Mas o que valeu mesmo a pena foi ver a Pedreira rodeada de verde e apinhada de gente (dizem que deu umas 15.000 cabeças!), numa noite em que as estrelas que mais brilharam não foram as que estavam no palco, mas as que enfeitavam o céu. Memorável.

Postado por Raul Aguilera
Foto Bjork – site Tim Festival

Certezas que ficaram após a edição curitibana do TIM Festival:

1.ª – Brandon Flowers acorda querendo ser ou Bono Vox, ou Morrissey. O cara é de uma grande eloquência e postura no palco capaz de causar inveja ao líder do U2, ao mesmo tempo em que é “doce” como o ex-Smith durante o show, jogando uma florzinha aqui, outra ali. Já o restante do The Killers se contenta em ser mórmon. Ficavam impassíveis mesmo com todo o público cantando junto.

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2.ª – A Björk é o PT da música. Ou o cara é seguidor fanático, ou não desce mesmo. Não tem aquela de “não gosto dela, mas o show foi legal”. Foi a atração que mais dividiu opiniões. No Rio funcionou melhor, talvez pelo espaço menor. A graça do show ficou por conta do reacTable – que divertia um dos músicos – e em jogar glowsticks nos asseclas trombeteiros castrados do Himalaia, que Björk adquiriu enquanto procurava umas batinas descoladas na Birmânia.

3.ª – Falem mal, falem bem. Ao vivo, os moleques do Arctic Monkeys são do cacete! Imagino como é assistir ao show em um espaço menor. Vendo tête a tête, as músicas ficam bem mais pesadas. E mesmo que eles não sejam muito de falar, o público fala por eles: até os curitibanos – bichos arredios, não dados a demonstrações de alegria em público – cantaram durante todo o show.

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4.ª – Tudo bem que festival em dia de semana precisa acabar cedo. Mas começar muito cedo também não dá! O Hot Chip tocou para meia dúzia de nego. Aqui no .::musicness::., o máximo que se viu foram as duas músicas de encerramento. Portanto, sem comentário para eles.

5.ª – Curitiba merece ganhar, sim, uma edição anual do festival. Mesmo numa quarta-feira, com rodada quente do Brasileirão, conseguiu reunir quase 20 mil cabeças. O público estava animadão, se esgoelou de cantar as músicas (mesmo as da Björk) e além de tudo é um povo super rabudo: a semana toda Curitiba foi castigada por uma forte chuva. Agora mesmo, enquanto escrevo, cai o maior toró lá fora. Mas na quarta, dia do festival, nem uma gota. E em termos de organização, deu um baile no Rio e em São Paulo, que tiveram um monte de problemas.

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Postado por Diogo Dreyer, fotos por Joel Rocha (Divulgação TIM)