A entrevista que segue foi feita e cedida por Ricardo AC, leitor de .::musicness::. . Já Jô Mistinguett será a atração de logo mais na festa do Electro on the rocks (mais infos nos posts abaixo).

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m_d1b81df24dbae02aeab1f9680d15f499.jpgJeanne Bourgeois, artisticamente conhecida como Mistinguett, foi a deusa da Belle Époque parisiense. Por anos, a cantora foi estrela no Moulin Rougue, tornando-se a vedete mais popular de sua época, além da mais bem paga do mundo. E baseada no sucesso da xará francesa, a brasileira Jô Mistinguett busca trilhar um caminho parecido, e se não mira os cabarés franceses para isso, já consegue um relativo sucesso no underground do Brasil e até do exterior, com faixas como Personal Fuck e S.B.P.

New raver waver assumida, tornou-se rapidamente uma das apostas pop/eletrônica no país, juntamente com o Bo$$ in Drama (com quem já trabalhou no projeto Gomma Fou, se apresentando no Motomix Art Music, em 2006) e com os cariocas do The Twelves.

Jô começou a se interessar por música aos quatro dez anos, quando fez algumas apresentações em, acredite, restaurantes. Largou o órgão, mas não a música. “Morava em cidade pequena e na época não se tinha acesso a nada”, conta. Mudou-se há quatro anos para Curitiba, conheceu o electro e resolveu ser DJ, indo cursar a AIMEC (Academia Internacional de Música Eletrônica). Foi lá que conheceu e recebeu o convite de Péricles Martins, a.k.a Bo$$ in Drama, para o projeto o Gomma Fou (chegando a ocupar uma folha inteira de um jornal americano).

Conflitos artísticos separaram a dupla, mas a experiência que Jô adquiriu incitou-a a criar o seu próprio projeto. Começou a compor suas próprias faixas e adicionou o Mistinguett ao seu nome.

Você acha que o término do Gomma Fou foi bom para sua carreira?
Jô Mistinguett: O Gomma Fou era ótimo, mas também acho que com a separação surgiram dois frutos, e não um só.

O que você acha da qualidade dos DJs brasileiros em relação aos estrangeiros?
JM: Não sei dizer! Acho que o Brasil está mostrando muitas coisas boas atualmente. Acho que, querendo ou não, o sucesso do CSS (Cansei de ser Sexy) e do Bonde do Rolê na Europa abriu muitas portas aos produtores e DJs brasileiros.

Como você define a cena da música eletrônica no Brasil?
JM: Está crescendo e isso é bom, fazendo surgir mais pessoas nesse meio. Mas acho que ainda está banalizada.

Você acha que é culpa do CSS e do Bonde do Role, que criaram suas músicas sem o intuito de serem levados a sério? [NOTA DO BLOGUEIRO: ESSA É A OPINIÃO DO ENTREVISTADOR…]
JM: Depende do sentido de ser levada a sério… existem bandas como o Bonde, que ao mesmo tempo que são lúdicas, têm qualidade. E é essa qualidade – e novidade, principalmente – que não são levadas a sério. O próprio público quer isso. Acho que ficou fácil demais fazer música em casa. É só ter um programa qualquer e criar um myspace.

Qual o programa que você usa pra criar suas músicas e no que você se inspira?
JM: Eu uso o Ableton Live.Só! E me inspiro principalmente na new rave wave.

Como estão os contatos lá fora?
JM: Já tive contatos com selos e produtores. Inclusive estou criando vocal para músicas de alguns produtores europeus.

Pode citar algum?
JM: Melhor não. Quando tudo estiver pronto,eu falo.

E as expectativas para 2008?
JM: Na verdade, não sei de nada! Nem crio expectativas, só espero que as coisas fluam naturalmente.

E vem fluindo, não?
JM: Acreditamos! (risos).

Jô Mistinguett na internet www.myspace.com/jomistinguett.

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