“A gratuidade da música com a era digital é fato. Basta digitar o nome de qualquer música em programas ou buscadores específicos na internet que você vai encontrar. O mesmo pode ser dito sobre filmes, programas de TV, quadrinhos e livros, mas em escalas menores. Música, eu já disse, é o boi de piranha das transformações. É quem encabeça primeiro os tremores de mudanças sociais e, inevitavelmente, acaba sofrendo com isso. O Radiohead resolveu pagar pra ver – ou pedir pra você pagar, feito o moleque das Casas Bahia – se sentia a dor na pele.”

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Texto muito pertinente no blog Trabalho Sujo, do Alexandre Matias. É o papo do Radiohead “entregando” seu último disco dando ainda mais pano para a manga. Uma coisa que Matias não lembra em sua boa argumentação, mas que não altera o tom da coisa toda, é que a banda de Thom York (foto), mesmo saindo na frente e disponibilizando as próprias faixas na web, conseguiu ver o disco físico, lançado no primeiro dia do ano, entre os mais vendidos na Inglaterra e repetindo o feito nos EUA.

“Tem muita gente que vive completamente alheia à música digital e que trata o mundo de MP3, iPod e MySpace como uma alucinação coletiva ou uma grave debandada das pessoas para a ilegalidade. Com uma propaganda alarmista para tentar evitar uma crise anunciada desde os anos 90, a indústria de entretenimento conseguiu impregnar no imaginário das pessoas a idéia de que baixar conteúdo pela internet consistia em crime.”

Acredito que já estamos chegando a um meio termo entre venda e downloads “ilegais”. Postei aqui, dia desses, que a Amazon vai vender MP3 sem restrição de região ainda esse ano (já testei e a coisa ainda não funciona no Brasil). Vai dizer que, disco completo por U$ 7, não está em conta? Mas sempre vai ter gente preferindo não pagar nada. Ou quantas pessoas você conhece que, mesmo podendo, não pagaram nem uma libra pelo disco do Radiohead?

“Por outro lado – e as lojas de disco? E os discos? Quanto tempo os discos durarão? Quem ainda gravará discos? Se há um par de anos o fim do CD deixava de ser uma suposição para ser uma possibilidade, hoje é fácil pensar num mundo sem discos. O artista ainda prensa o CD mesmo com a desculpa – plausível – de que o CD é seu cartão de visitas. Mas até quando? Cartões de visita no fim das contas, acabam ficando empilhados e são consultados raramente, quando não jogados fora.”

Tenho uma tia que me perguntou há algumas semanas: “mas do que viverão os artistas se tudo estiver na web?”. Respondi que viverão de trabalho. Músico tem que fazer show, ralar, fazer por merecer. Tirando meia dúzia de nego (U2, Madonna, Roberto Carlos), quem fica rico vendendo disco é a gravadora, é monopólio. Mas se o dinheiro, no caso dos arquivos digitais, for direto pro artista, quero ver quantos vão preferir ficar sob a tutela da EMI, Sony-BMG, Universal, Warner… Ei, nem precisa das reticências. São só essas quatro mesmo.

Postado por Diogo Dreyer

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