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As quatro grandes gravadoras (EMI, Sony, Universal e Warner) já processaram mais de 20 mil fãs de música ao redor do mundo para “proteger os copyrights dos artistas”. Mas existe um detalhezinho na história que ninguém sabia: segundo o que managers de artistas proeminentes disseram ao jornal NY Post, as majors, até agora, não repassaram nem um centavo aos artistas que representam. Para se ter idéia do que isso representa, apenas o Napster pagou, num acordo com as empresas, U$ 270 milhões, isso sem falar na grana tirada dos acordos com Kaaza e Youtube.“Os produtores e advogados dos artistas estão imaginando há meses quando é que seus clientes irão receber o dinheiro dos acordos de copyright e como ele será creditado a cada um”, disse ao jornal o advogado John Branca, que representa, por exemplo, o Korn e os Rolling Stones. “Alguns deles estão dizendo até em entrar com ações se não forem pagos logo”.

Ou seja, se a indústria musical lucrava horrores sobretaxando os CDs, conseguiram inventar uma fórmula onde não precisam fazer absolutamente mais nada para ganhar. Basta pagar a porcentagem dos advogados.

Via Boing Boing

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Aí um amigo meu lembrou do que acontece por aqui com o ECAD e a Ordem dos Músicos do Brasil, que supostamente deveriam distribuir o bolo arrecadado, no primeiro caso, e cuidar dos interesses dos artistas, no segundo. Contei a ele então a notícia que me chegou informando que o Tribunal de Contas da União (TCU) condenou o ex-presidente do Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil no Paraná, João Bento de Lacerda, ao pagamento de R$ 35.216,27, valor atualizado, por irregularidades na prestação de contas de gastos realizados durante sua gestão.

Além de não comprovar os gastos, foi constatado que ele destruiu documentos importantes, como livro de movimentação de caixa, recibos de pagamentos de funcionários e processos administrativos.

Para vocês DJs, produtores e músicos, verem aonde vai parar o seu suado dinheiro.

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Na outra ponta da história ficam os mega-badalados e já podres de ricos músicos famosos que reclamam da internet, das gravadoras, do público, enfim, do que der pra reclamar. Para ilustrar, reproduzo um post do blog do Luiz Antonio Ryff, o Nonsense, intitulado “Espetáculos musicais são um assalto”.

“Artistas gostam de reclamar da vida e de quão pouco são valorizados e blá blá blá. Mas a realidade é que o preço de espetáculos culturais no Brasil é absolutamente risível, incompatível com a realidade do país.

Os shows do Police foram muito caros.

Agora a história se repete com Bob Dylan. Ele vai se apresentar em São Paulo, no Via Funchal, com ingressos que chegam a R$ 900. O mais barato sai por R$ 250.

Na Argentina, onde Dylan se apresenta, o preço mais caro é de 380 pesos. O equivalente a R$ 211. Ou seja, menos de 1/4 do ingresso mais caro em São Paulo. O mais barato, em Córdoba, sai por 75 pesos. Ou R$ 42. Isso é um terço da meia entrada no Brasil.

Ah, mas a Argentina é um caso diferente… Então vamos ao México, que também está na turnê latino-americana do cantor. Dylan vai se apresentar no Auditório Nacional, na capital. O ingresso mais caro custa 1.780 pesos mexicanos. Na conversão para reais isso fica por R$ 289. Menos de 1/3 do mais caro bilhete no Via Funchal. Mas o mais barato no México fica por R$ 45.

O preço do ingresso no Brasil é ou não é um roubo?”

Postado por Diogo Dreyer

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