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Vivo pregando aqui neste espaço o fim do monopólio musical das quatro grandes gravadoras e a introdução de um novo modelo de negócios baseado na internet. Mas, vez por outra, sou obrigado a pensar que, mesmo que tenhamos preços acessíveis e justos, pouca gente se daria ao trabalho de pagar por faixas se pode encontrá-las gratuitamente na internet.

Quantas pessoas você conhece que pagaram, nem que fosse uma mísera libra, para baixar o disco disponibilizado pelo Radiohead pelo preço que se quisesse pagar? Aliás, sei de nego que nem se importou em baixar o disco via site oficial, onde se podia pagar ZERO libra.

O Nine Inch Nails achou bacana a iniciativa de Thom York e companhia e lançou seu novo álbum – de inéditas instrumentais – para download. O disco se chama Ghosts I-IV, tem 36 músicas, um encarte em PDF com 40 páginas e um monte de extras – como imagens para desktops. Tudo isso por míseros US$5. Ah! E diferentemente do Radiohead, as faixas vêm em MP3 de alta qualidade, 320Kbps.

No site do disco, dá ainda para comprar um CD duplo, por US$10, e há uma versão deluxe, por U$ 75, que vem com, entre outras cositas más, dois livros encapados em tecido, dois CDs de áudio, um DVD de dados com as trilhas separadas em wav não compactado, ideal para remixes, e um disco Blu-Ray com as gravações em estéreo/alta resolução. Tinha ainda uma versão ultra-deluxe limited edition package, por U$ 300, mas que já esgotou.

Todo o material disponibilizado pela banda está licenciado via Creative Commons Attribution Non-Commercial Share Alike license, o que quer dizer que, não sendo para ganhar dinheiro, você pode fazer o que quiser com ele.

E MAIS! A banda de Trent Reznor disponibilizou as nove primeiras músicas do disco via torrent, grátis, na faixa, sendo que TODOS os arquivos são livres de DRM.

Assim como aconteceu com o Radiohead com a venda online de In Rainbows, certamente o NIN vai tirar uma graninha legal do projeto, já que fãs e outras pessoas gostam de apoiar esse tipo de iniciativa e ainda há um monte de gente que gosta de ter o disco em formato de CD.

Só que o outro lado da moeda dá o quê pensar. O pessoal do MeioBit resolveu medir, na prática, o sucesso da iniciativa. Visitou o site Mininova, popular agregador de torrents, e em uma pesquisa pelo álbum descobriu um resultado decepcionante:

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Na imagem dá para ver que o álbum legítimo, disponibilizado gratuitamente, com as nove canções, na hora da medição, tinha 43 pessoas compartilhando e 9 baixando. Já a versão pirata, com as 36 músicas, que custa os U$5, estava sendo baixado por 5636 pessoas. São US$28.180 a MENOS para a banda, e somados apenas os seeds desse site.

Daí pode-se concluir que, mesmo mudando o modelo de negócios para venda de músicas na internet e disponibilizando de maneira maciça esse tipo de serviço, o pessoal que gosta de reclamar contra a indústria e pichar o Metallica por ter acabado com o Napster vai precisar mudar de atitude e realmente ajudar a coisa toda a da certo.

Claro que é ingênuo acreditar que a maioria irá pagar por algo que pode ter gratuitamente, mas acredito que juntamente com um novo paradigma de mercado, forçosamente acabará surgindo algum tipo de repressão ao download “ilegal” que, mesmo que não pegue a todos, regule as transações e faça com que seja mais interessante para o consumidor pagar um valor qualquer do que ter o arquivo de graça e ter que lidar com as conseqüências da prática ilegal.

Assim como no mundo real se encontraram maneiras para que a práticas comerciais dessem certo, no mundo online há de se achar uma forma de termos música abundante, por um preço justo, sem matar a galinha dos ovos de ouro.

PS- Ainda não ouvi o disco do NIN, antes que alguém pergunte. E sim, vou comprar a versão de U$5.

UPDATE – A amiga Adriana Amaral fez um post no blog Palavras e Coisas sobre o disco antes mesmo do que eu e também fez ponderações legais sobre o assunto. Vai lá.

Postado por Diogo Dreyer

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