nin.jpgMike Linksvayer, chief technical officer do Creative Commons, foi atrás dos números de downloads do experimento do Nine Inche Nails e descobriu que levou apenas dois dias para a banda exceder o que chamou de “vendas tradicionais maciças de CD” com o lançamento de Ghosts I-IV. Até aquele momento, o Nine Inch Nails havia vendido cerca de U$ 750 mil da versão “limited edition deluxe sets”, que custa U$ 5, além de uma significativa soma de CDs normais, que custam U$ 10, e as outras opções que colocaram à disposição.

A versão de U$ 300 chamada “ultra deluxe edition”, com apenas 2,5 mil cópias, esgotou no primeiro dia. Aí o cara apresenta dados interessantíssimos para a discussão iniciada no post de ontem: normalmente, nos EUA, um artista lucra U$ 1,60 na venda de cada CD que custa U$ 15,99. Ou seja: no mercado tradicional, o NIN precisaria ter vendido 468.750 CDs para chegar ao lucro que teve com as vendas online de 150 mil discos. Falta nessa conta tirar a parte do dinheiro para pagar o investimento, mas que deve ser incrivelmente mais baixo do que um CD normal.

capa.jpgNos comentários do post anterior na versão do .::musicness::. no rraurl, o Marcus Vinicius Brasil chamou a atenção para duas coisas. Primeiro lembrou que a Rolling Stones Brasil desse mês aponta que In Rainbows é o disco mais bem sucedido do Radiohead em termos de lucratividade (leia o texto aqui). Dá para comparar o que acontece com o NIN: o disco, vale lembrar, é instrumental, e nem de perto Trent Reznor tem o apelo e a penetração do Thom York entre o público. Mesmo assim, deve lavar a égua com a nova iniciativa.

Isso me faz crer que esse formato vai dar muito certo para bandas e artistas já estabelecidos e que tenham culhão para romper com as respectivas gravadoras (coisa que NIN e Radiohead fizeram). Fora isso, tem que agüentar o tranco de além de gravar tudo, criar um esquema de venda bom e confiável. Bandas menores continuarão a se dar bem com gravadoras indies e deixando que o povo baixe de graça suas músicas até que se crie interesse suficiente nelas por parte do público para partirem para iniciativas parecidas.

O Marcus Vinicius também ressalta no comentário que “piratear não é o mesmo que compartilhar”, o que, acho, já está mais do que cristalizado no entendimento das pessoas, salvo se você for executivo de alguma major. Ou seja, concordo com ele. Mas no post de ontem usei o termo “piratear” no título como forma de chamar a atenção, pois acredito que é em casos como os projetos do Radiohead e do NIN que se separam quem gosta mesmo da música das bandas e que está disposto a algum esforço para fazer com que o modelo funcione, daqueles que não se sensibilizam com esse tipo de causa. A diferença é que, as pessoas que se enquadram no segundo caso, perdem o direito de reclamar dos preços altos, dos motivos da Apple não querer ampliar o serviço de vendas do iTunes e da dificuldade de se encontrar bons serviço para compra online no Brasil.

Postado por Diogo Dreyer

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