Quando entrevistei Paul McCartney, em 1997, ele explicou que a ‘biografia oficial’ dos Beatles, de Hunter Davies, de 1967, era só 60% verdadeira. O resto foi ocultado pelos Beatles para proteger amigos, famílias e namoradas dos lados mais sombrios das histórias. Infelizmente, os Beatles repetiram essa história tanto tempo que esqueceram o que era verdadeiro e o que eles inventaram. O livro Anthology, ou isso a que você se referece como The Beatles’ Autobiography, é uma confusão de fatos. Os Beatles contam experiências que eles ouviram falar por outras pessoas, não sabendo dizer o que é verdade ou não. Por isso, muitas partes daquele livro contém imprecisões. Os Beatles adaptaram isso como a sua história e realmente acreditaram no que eles diziam. Minha intenção, em The Beatles – A Biografia, era formular uma biografia do grupo baseada apenas em fatos, o que me consumiu 2 anos e meio de pesquisa e outros 5 anos e meio para escrever.

Bob Spitz, em entrevista ao Estadão.

beatles1.jpgAceitei a aventura de ler The Beatles – A Biografia há quase dois meses. Digo aventura devido ao tamanho do livro: 980 páginas. Mas a leitura é uma delícia. O autor, o americano Bob Spitz, escreve extremamente bem e conseguiu uma proeza em se tratando da banda mais documentada da história: conceber um livro com diversas revelações. Mas isso somente após oito anos de pesquisa sobre o grupo.

Ainda estou na página 300 e a vida da banda se limita até agora a Liverpol e às idas a Hamburgo. Nem o Ringo se juntou a eles. A obra, aos poucos, vai apresentando um John amargo e rebelde – infinitamente mais perturbador do que qualquer Rolling Stone jamais sonhou em ser -, um Paul sedutor e talentoso – mas extremamente manipulador -, e um George que, não fosse a música, certamente teria terminado seus dias como um anônimo estivador da cidade portuária onde nasceu.

E lá pelas tantas, após infindáveis desencontros e golpes de sorte, o leitor percebe como essa mistura de estilos e talentos deu ao mundo os Beatles. Uma das coisas que chama bastante a atenção é perceber que, não fosse a mão de Brian Epstein, certamente a banda não teria se transformado nos queridinhos da Inglaterra. Dependesse da banda, teriam apostado numa imagem mais “rock n’roll”, mais rebelde, o que certamente faria mais sentido com o comportamento dos integrantes nos bastidores.

Quanto à publicação, minha queixa é pelo tamanho: um único livro dificulta um monte a leitura (tenta ler o trambolho deitado na cama para você ver). Fosse dividida em mais volumes, a coisa fluiria mais facilmente.

Quando terminar de ler, farei uma listinha aqui no blog com as “descobertas” mais picantes. Por enquanto, deixo uma: sabia que a primeira guitarra elétrica que Lennon teve ele roubou? Mas aposto que o dono se sente orgulhoso até hoje.

Postado por Diogo Dreyer

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