Arquivos para o mês de: abril, 2008

Segunda, 21 de abril de 2008. Logo de cara dava pra perceber que não era uma situação muito comum. Estacionados ao redor da casa de show, dois senhores caminhões acompanhados também de um nem um pouco pequeno ônibus. Na porta, uma fila dobrando o quarteirão esperava numa friaca de quase zero grau a hora de receber a pulserinha de papel e comemorar o feito. Sabe como é, de vez em quando, alguns têm a sorte grande e se vêem numa casa de médio porte (800 pessoas) assistindo um show daqueles que merece lotar estádio. Nesses dias você jura estar sonhando, mas com o tamanho da fila da cerveja, você cai de volta à realidade. Só me restou agradecer aos céus e aproveitar o bom som que logo saiu de uma senhora banda a menos de cinco metros de distância.

Confesso que não conhecia o trabalho do Brendan Benson, mas até onde sei, ele está na banda para cumprir o segundo objetivo dos Raconteurs, ou seja, dar mais melodia à pancadaria do guitar-hero Jack White. Digo segundo objetivo, porque todo mundo sabe que o primeiro é dar uma banda de verdade pro cara, afinal, Meg White como baterista, ninguém merece. De qualquer maneira, após algumas ouvidas do segundo álbum, tive a clara impressão que Mr. Jack White tem a mão forte pacas, e é realmente difícil amaciar o som do sujeito. Restava na minha cabeça a dúvida se no show a cena se dividiria entre Jack e Brendan, ou se o primeiro assumiria de vez a posição de líder do Raconteurs.

Com a pista lotada como poucas vezes eu vi naquela casa, a banda entra no palco. Brendan dá boa noite e com Jack White de costas iniciam os trabalho com Consolers Of The Lonely. Jack faz pose, vira para o público numa câmera lenta digna de Michael Bay e manda a segunda estrofe. As músicas seguem e o esquema não muda: Brendan encara o público enquanto Jack destrói na guitarra. Finalmente, lá pela sexta música, eles se alternam. Jack White agradece, apresenta Top Yourself e assume o vocal enquanto Brendan, devagar, toma conta da cozinha.

Brendan não fica muito tempo sozinho na liderança, logo em seguida os dois se juntam e com Intimate Secretary e Level levam o público à loucura. Daí, quando você acha que vai tomar um fôlego, o que cai como uma bomba em seus ouvidos? Steady As She Goes. A música é levada numa batida mais calma, sem muita pressa, até meio displicente, e quando você se sente adaptado, outra bomba. Eles aceleram, aumentam o barulho, e aí meu filho… Nessas horas você já está nas nuvens vendo que a realidade muitas vezes é bem melhor que muitos sonhos. Cortando com Blue Veins e seguindo até Rich Kid Blues, não resta muita dúvida: a banda é mesmo de Jack White. Brendan Benson só não vê se não quiser.

Pausa rápida e os trabalhos reiniciam com Brendan dando um gás em Attention, o já velho single Salute Your Solution e, já quase no final, The Switch And The Spur, que apesar de ser a melhor do novo álbum, perde o peso pela falta dos metais. Carolina Drama diminui o ritmo e manda o pessoal de volta pra casa. Você percebe então a felicidade unânime quando as luzes se acendem. O DJ mete uma música ambiente e mesmo assim, ninguém se mexe. É preciso os seguranças te jogar de volta para a friaca zero grau para você dar conta que acabou, e acordar.

Set list
Consolers Of The Lonely
Hold Up
Store Bought Bones
You Don’t Understand Me
Old Enough
Top yourself
Intimate Secretary
Level
Steady as She Goes
Blue Veins
These Stones Will Shout
Rich Kid Blues

Bis
Attention
Salute Your Solution
The Switch And the Spur
Carolina Drama

Texto e foto por Rodrigo Hermann, especial para o .::musicness::.

Após a última e exaustiva turnê de 18 meses mundo afora, o CSS passou os últimos quatro meses em São Paulo gravando seu segundo álbum, que deve se chamar Donkey.

A banda paulistana revelou, segundo o site Gigwise, que o próximo disco sai em algum dia de julho. Mas antes, a trupe promete liberar, apenas para download, a faixa “Rat Is Dead (Rage)”, via site oficial, no próximo dia 28 de abril.

Postado por Diogo Dreyer

Entre sexta-feira e domingo, 128 bandas dividem as atenções no megafestival Coachella, na Califórnia. Como acontece todos os anos, o .::musicness::. novamente não foi convidado para prestigiar o evento (e de qualquer forma, ninguém aqui conseguiria visto para entrar nos EUA).

Mas não é por isso que vamos deixar de dar atenção a um dos mais importantes festivais de música do mundo, que nesse ano tem novamente como representantes curitibanos o Bonde do Rolê. Imagino que deve ser o tipo de evento que, para onde quer que se olhe, qualquer um sempre vai achar no mínimo um punhado de atrações interessantes, independentemente de gosto: pop, rock, indie, eletrônica.

Partindo desse incrível amálgama de atrações, o LA Weekly divulgou talvez a mais irrefutável avaliação que já vi de um festival: resolveu tabular, via Excel, todas as atrações para que o público entendesse um pouco mais (ou não) a mistura presente no Coachella desse ano.

O jornal separou as atrações por categorias bem inusitadas, como gênero, etnia, maiores notas de resenhas no Pitchforkmedia, origem, Indie vs. Majors, e até usou quantas visualizações os clipes das bandas têm no Youtube para dizer quem deveria ser ou não os headlinners (sorte da concorrência que esse ano o CSS não vai tocar por lá).

A que mais gostei, porém, foi a dos nomes das bandas, separados nas categorias Ótimo, Okay, Idiota, e Idiota pra caraca.

Leia o “estudo” todo aqui.

Postado por Diogo Dreyer

Meu sonho, desde pequeno, sempre foi trabalhar no Cartoon Network fazendo aquelas deliciosas vinhetas avacalhando os desenhos da emissora. Lembro sempre de dois clássicos que vi pouquíssimas vezes. Isso porque só devem ter ido ao ar por algum deslize do responsável por manter o mínimo de sanidade entre a equipe de criação. Numa dessas vinhetas, o Roger “Race” Banon, o guarda-costas do Johnny Quest, foi feito amante da Bety, a mulher do Barney, e os dois rompiam relações na historieta que se dividia em dois “episódios”. Pois é. O cara comia a vizinha do Fred Flintstone.

Em outra – que lembro de ter visto uma única vez (e garanto: existiu e tinha um amigo assistindo comigo que não me deixa mentir) – o coelho Pernalonga andava com as mãos nos “bolsos” em direção ao sol poente, no melhor estilo Shane, quando subia o som:” CUelhinho se eu fosse como tu, tirava a mão do bolso e enfiava a mão no CUelhinho…”

Sério isso. Ninguém me contou. Eu vi com os próprios olhos.

Assim como o nobilíssimo deputado Barbosa Neto (PDT-PR) viu coisa semelhante. E ficou alarmado a ponto de convocar uma audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara sobre o conteúdo da programação do Cartoon Network. O problema? O desvirtuamento dos bons costumes contido em um dos desenhos da emissora: Harvey, o advogado. Se você veio de Marte ontem e não sabe do que se trata, é uma série hilária onde o Homem Pássaro reencarna como advogado de porta de cadeia para livrar personagens clássicos como Scooby-Doo e Dom Pixote de acusações de misoginia, roubo, traições, bebedeiras, etc.

O deputado, indignadíssimo, atestou na audiência: “Fiquei chocado, porque crianças assistem a esses desenhos.” Bem, deputado, na verdade só assisitem se tiverem insônia, pois o Cartoon só passa os episódios na programação do Adultswin, bem tarde da noite. Já a TV Câmara e a TV Senado tem toda a hora.

Esse post, como já deu para perceber, não é sobre música, mas precisei de alguns bons minutos para me recuperar do ataque de riso acarretado pela leitura da notícia. Assim, quis partilhar dessa alegria com os leitores do .::musicness::. selecionando algumas vinhetas divertidas do canal no Youtube.

PS- procuro desesperadamente há anos pelas duas pérolas citadas no início do texto, mas nunca encontrei. Já o último vídeo, lá no fim, não é da emissora, é falado em espanhol, mas tem tudo a ver com o assunto.

1- Aviso para a Câmara dos Deputados sobre o conteúdo de Harvey, o advogado

2- Homem Pássaro no clássico dos clássicos Juízo Final

3-Pomba no ventilador

4- Aquaman no supermercado

5- Aquaman despedido

Postado por Diogo Dreyer

E eis que me deparo com o seguinte link no Trabalho Sujo, do Alexandre Matias: 10 anos de Blog no Brasil: confira a lista do blogs musicais mais relevantes.

Claro, fui conferir o texto para conhecer blogs novos (adoro descobrir blogs novos de música). Mas para minha surpresa, juntamente com gente como Tom Zé, Lúcio Ribeiro, o supra-citado Alexandre Matias, os companheiros de rraurl Camilo Rocha e Claudia Assef, vejo que os caras do Skol Beats puseram na lista o .::musicness::.!

Uau! Sei da nossa insignificância perante todo esse povo, mas não nego que nos dá uma pontinha de orgulho. Agradecimentos maiores aos nossos leitores. Valeu gente! (E o que dizer do comentário do Alexandre Matias dizendo que é nosso leitor? Ganhei o dia!)

Aproveita e leia abaixo a íntegra do texto.

Faz uma década que alguém postou pela primeira vez num blog aqui na terrinha. Para celebrar, fizemos uma lista dos blogueiros essenciais na cena musical brasileira

Esqueça os colunistas e editores de revistas de música. Quem define quais são as melhores músicas, bandas e álbuns agora são os blogs. Em meio a todo o catastrofismo que é falado sobre o mercado da música e dos discos nos dias de hoje, pouco é lembrado o fato de que atualmente os artistas são obrigados a uma aproximação maior com seus fãs (mesmo que ela seja por uma tela de computador e por meio de algum assessor responsável por sua página na internet ¬- leia-se blogs). Mensagens para o público, diários de turnê, notícias sobre os planos futuros, tudo isso virou peça quase obrigatória no mundo pop de hoje. E, mais do que isso, como no passado nas rádios e na TV, as bandas precisam mostrar a sua música nos meios de hoje – leia-se blogs.

Na internet, o blog é instrumento para um tom mais pessoal e de informalidade na abordagem dos temas a que se dedicam. E isso ocorre também nas páginas de blogs relacionados a música, que estão ganhando importância como veículos para espalhar as novidades da área.

O fenômeno blog causou algumas revoluções, a maior delas, a possibilidade de escrever sobre assuntos com os quais se tem maior afinidade. Um dos temas prediletos dos blogueiros nacionais é a música. Nem é possível fazer qualquer estatística sobre quantos são, tamanha a velocidade com que são criados e abatidos na rede.

Dentro deste vasto universo, é possível identificar dois tipos de tendência. Uma é a dos “blogs de fã”, nos quais se prestam homenagens a um artista, uma banda ou um estilo específico. A outra, a dos “blogs de resenhas e novidades/hypes”, em prevalece uma visão de jornalismo sem compromisso – e, às vezes, funcionam também como núcleos de festas e de artistas.

No ano passado, os blogs tiveram seu boom particular e alguns deles ganharam status de fonte confiável de informação, mas a cena ainda está começando a ver quais são os reais efeitos deles. Acesse os links abaixo e dê você mesmo a opinião final.

http://lucioribeiro.blig.ig.com.br/
Lúcio Ribeiro, um dos nomes mais comentados do jornalismo brasileiro de cultura pop, é mais conhecido hoje pela Popload, seu blog de música.

http://ilustradanopop.folha.blog.uol.com.br/
Repórter de música do caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, Thiago Ney é responsável pelo blog Ilustrada no Pop da Folha Online.

http://discopunk.blogspot.com/
Música eletrônica é o assunto preferido desse blog.

http://www.penetrationclub.blogspot.com/
Um dos mais promissores. Fique de olho.

http://movethatjukebox.wordpress.com/
Administrado por 4 jovens, dois de 15, um de 16 e outro de 18 anos. Alex Correa, Cédric Fanti, Gabriel Zorzo e Marçal Righi. Molecada antenada.

http://dubstrong.blogspot.com/
Hip hop, reggae, ragga/dancehall, jazz, downtempo, funk, drum’n’bass, tudo amarrado por uma forte influência que o DJ Dubstrong tem do dub jamaicano.

http://site.rraurl.com/blogs/bateestaca/
Na ativa desde os primórdios da cultura eletrônica no Brasil, o DJ, produtor e jornalista Camilo Rocha não escreve apenas sobre dance music em seu blog.

http://site.rraurl.com/blogs/tododjjasambou/
Claudia Assef é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet e sempre dá furos em seu blog.

http://site.rraurl.com/blogs/musicness/
No cultuado blog, Diogo Dreyer, João Anzolin, Raul Aguilera escrevem sobre indie rock e eletrônica.

http://www.gardenal.org/urbe/
Editado pelo jornalista carioca Bruno Natal, cobre música, cultura e urbanidades.

http://www.popup.mus.br/secao/blog/
O jornalista Bruno Nogueira, de Recife, posta boas matérias e notícias locais fresquinhas.

http://conector.blogspot.com/
Gustavo Mini é publicitário e guitarrista/vocalista da banda gaúcha Walverdes. Ele equilibra essas duas facetas com muita habilidade em posts informativos e divertidos.

http://www.nemo.com.br/elcabong/
O el Cabongintegra o Nordeste Independente, uma comunidade focada no mercado independente nordestino que busca contribuir para shows, turnês, circulação de informação etc. É escrito pelo jornalista Luciano Matos.

http://www.pedroalexandresanches.blogspot.com/
Blog do jornalista da revista Carta Capital e crítico de música Pedro Alexandre Sanches, que discorre sobre assuntos como política e a cena musical brasileira.

http://www.gardenal.org/trabalhosujo/
Alexandre Matias é editor do Link, o caderno de tecnologia e internet do Estadão. O Trabalho Sujo é uma das maiores referências jornalísticas para o circuito musical independente do Brasil.

http://prztz.blogspot.com/
Blog de produção de música eletrônica do produtor Dudu Marote.

http://tomze.blog.uol.com.br/
O músico Tom Zé partilha suas idéias e composições em um blog divertido e inteligente.

Postado por Diogo Dreyer

“O vendedor número um de músicas no mundo, o iTunes, entendeu há algum tempo que música não é mais um produto, e sim, propaganda – a Apple vende iPods e o iTunes é o serviço que faz ser relativamente barato e fácil encher esses iPods. (…) O que as gravadoras chamam de ‘pirataria’ é de fato distribuição de material promocional e esse modelo já tem precedentes. Ele se chama rádio e, mais recentemente, videoclipes.”

O escritor Jackson West fez um ótimo texto no site Valleymag onde defendo que a música não é mais um produto para se vender, mas sim, um meio de se fazer propaganda dos artistas. Para ele, a forma de se ganhar dinheiro nesse modelo é se concentrando em coisas que realmente são possíveis de serem vendidas nos dias de hoje: ingressos para shows, camisetas e carteirinhas para fã clube.

West vai ainda mais longe e afirma que iniciativas como o novo MySpace Music, o MusicNet e mesmo o novo Napster, estão fadados ao fracasso, pois as gravadoras insistem em ver as faixas como fonte de lucro e não como plataforma promocional.

Faz sentido, mas não parece uma mudança de pensamento que as majors adotarão sem antes espernear mais um pouco.

Postado por Diogo Dreyer

Tenho a impressão de que até meados do ano passado, antes do lançamento do iPhone, as pessoas davam mais atenção aos apetrechos que eram lançados para os iPods. Agora, parece que o povo se concentra mais em conseguir o telefone da Apple e, depois de pôr as mãos em um e destravá-lo, a preocupação é enchê-lo com os mais variados e inúteis programinhas possíveis. Faz parte da evolução.

Mas nem por isso os “complementos” para o “antigo” player deixaram de aparecer. E é justamente tentando salvar a dignidade dessa indústria tão vital para a humanidade que o .:musicness::. fez uma lista com cinco dos mais esdrúxulos e exclusivos gadgets que você pode ter para usar com o aparelhinho.

5- MiniGod speakers

Esse é para aqueles que vieram de alguma ilha perdida do pacífico onde se dança para o deus do vulcão e tem saudades dos rituais de atirar virgens dentro da lava. Alto-falantes estilosos no formato de um mini-deus, opera apenas com um bateria de 9 volts para você plugar o seu iPod e promover um luau high-tech ou algo do gênero. Por cerca de 120 doletas, você encontra alguns no eBay.

4 – iTube

Versão para o século 21 do Lava Lamp. Tá certo que parece mais com algo que o Luke Skywalker e o Darth Vader usariam para brigar um com o outro, mas o esquema serve como um dock no melhor estilo psychedelic groove para você plugar o iPod e ouvir um som enquanto carrega o aparelho. Vem ainda com um controle para criar padrões diferentes das bolhas. Todas essas benesses por U$ 249, no site da fabricante. Como diria Autin Powers “Do I make you horny, baby, yeah, do I?

3- Gator Lightweight Electric Guitar Case

Case que vem de encontro à crescente necessidade dos guitarristas modernos que não sabem mais como “tirar um som”. Basta plugar um iPod na linda case – que imita pele de crocodilo e vem com caixas de som embutidas – e mostrar ao povo em volta como é lindo aquele solo que você um dia sonha tocar com sua guitarra. Por apenas U$ 59 na Amazon.

2- ITC One System

Pela bagatela de U$ 24 mil você pode ter o que o fabricante chama de “o home theater perfeito”. O treco parece mais uma impressora corporativa, mas é um sistema que agrega, entre outras cositas más, amplificadores de marca famosa, TiVo de alta definição, controle remoto universal, um console de Xbox 360 e um leitor de Blu-Ray. Ah, claro, tem também um dock para o iPod. Encomendas no site da fabricante.

1- Lederhosen com controles de iPod

Ah, essa é para as idas às Oktoberfests. Um par de calças de couro tradicionais da Bavária com controles para você ouvir seu iPod enquanto a banda local entoa algum clássico da festa da cerveja. Infelizmente, o fabricante ainda não vende esses acessórios indispensáveis. Ainda!

Postado por Diogo Dreyer

Seleção quase que toda roqueira para os amigos do .::musicness::. No finzinho, uma xepa eletrônica.

1. Death Cab fos Cutie – I Will Possess Your Heart [MP3]

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Essa faixa foi postada pelo grupo de Seattle em sua página no MySpace. É o primeiro single do aguardado sexto álbum, Narrow Stairs. A música tem mais de oito minutos e vai por um caminho bem diferente do que a banda mostrou no aclamado Plans, lançado em 2005. A versão que irá para as rádios, claro, terá menos de quatro minutos. Em uma entrevista, o vocalista Ben Gibbard avisou que o novo álbum será bem “bipolar” e terá algumas músicas mais longas do que as pessoas estão acostumadas a escutar. Narrow Stairs sai no dia 13 de maio nos Estados Unidos.

2. Supergrass – Diamond Hoo Ha Man [MP3]
É difícil para uma banda perder a alcunha de “one hit wonder”. Para o Supergrass, a resposta para isso é o rock n’roll. Derruba a casa e não deixe as paredes em pé! Assim a banda escolheu, no segundo disco, passar dos hits juvenis como “Allright”, do álbum de estréia, para produções mais elementares e sérias. Já o disco novo, Diamond Hoo Ha, que chegou às lojas em março, tem um quê experimental ao mesmo tempo em que as guitarras e o pop ligeiro retornam.

3. Elbow – Grounds For Divorce [MP3]
O Elbow sempre foi o tipo de banda que eu gostei, mas nunca amei. É aquele tipo que você só lembra mesmo quando lança disco novo ou quando se depara com aquele CD velho na estante. Nesse caminho, o novo single da banda vai descortinando a toada do álbum The Seldom Seen Kid, lançado no mês passado na Inglaterra. No trabalho, ainda aparecem o delicioso vocal de Guy Garvey e o baixo marcante, mas a banda parece se distanciar do rock-suave que beirava o Cold Play para irromper com toadas e muitos elementos de blues.

4. The Raconteurs – Salute Your Solution [MP3]
Faixa do disco Consolers of the Lonely, cuja existência foi escondida até praticamente o lançamento por Jack White e Brendon Benson. O álbum, então, veio como uma bomba: sem resenhas, sem críticas e sem expectativas. O som, bem, caindo no lugar comum, é a cara do Led Zepellin e tal. Mas achei o disco mais agressivo e “veloz” que o primeiro. “Salute Your Solution”, então, é paulera. Ouve aí.

UPDATE: O link para a faixa foi retirado a pedido da XL Recordings.

5. Young Knives – Up All Night [MP3]
Faixa extraída do álbum Superabundance, recém-lançado no UK, que tem fácil uma das capas mais feias do ano. A música é um roquinho inglês sincero, daqueles que o Peter Doherty vem tentando fazer desde que saiu do Libertines (e, na minha opinião, ainda não conseguiu). Já o disco todo reflete uma banda desesperada para convencer no segundo trabalho e, provavelmente por esse motivo, introduz influências de um largo espectro, saindo do post-punk chegando até Arctic Monkeys. O curioso é que eles acabaram acertando a mão em músicas tão distintas que nem parecem fazer parte do mesmo disco: enquanto “Turn Tail” é cheia de violinos e tem um refrão grudento, “Fit 4 U” é Gang of Four puro.

6. The Kills – Getting Down [MP3]
Bateria eletrônica, alguns samples, baixo, guitarra e a ótima parceria vocal de Alison Mosshart e Jamie Hince. Musiquinha legal de doer. A faixa é do disco novo, Midnight Boom, já resenhado pelo rraurl.

7. Ladytron – Black Cat [MP3]

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Esse é o primeiro single do novo álbum da banda, Velocifero, programado para sair em junho. A faixa é isso que diz o nome: sombria, marcada pelos sintetizadores, e ainda cantada em búlgaro (!). Coisa de bruxo. É como se a vocalista Mira Aroyo estivesse punindo o ouvinte. Mas num bom sentido, claro.

Postado por Diogo Dreyer

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“Estamos realmente putos [que o álbum tenha vazado na internet]. Mas suponho que não há nada o que possamos fazer. Você pode apenas esperar que isso não vá foder tudo, porque eu acho que, nesse mundo, existem downloaders e pessoas que compram. Não sei se você pode convencer um downloader a comprar.”

A declaração é do guitarrista do Portishead, Adrian Utley, em entrevista à MTV americana (Utley é o tiozinho na foto acima ao lado da Beth Gibbons na verdade, o tiozinho da foto é o Geoff Barrows). O músico desbocado está bravo porque o álbum novo da banda, Third, veja pois, vazou na internet. Mas é isso que dá ficar longe do mundo por 11 anos para gravar apenas um disco novo e perder fatos que pouco dizem respeito ao mundo da música como a banda larga, o Napster, o iTunes, o bittorrent, o In Rainbows do Radiohead…

Para terminar a entrevista, o cara deixou uma ameaça:

“Se não vendermos discos, não poderemos fazer mais nenhum.”

Para quem já foi vanguarda um dia, declaração tacanha. Mas vai ver, foi isso: o disco anterior, o homônimo Portishead, deve ter vendido tão pouco que eles precisaram de um pouco mais de uma década para angariar algum trocado para conseguir fazer o Third.

Postado por Diogo Dreyer

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Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Notícia do site da Prefeitura de Curitiba informa que a instituição, por meio da Secretaria Antidrogas, fará “ações de prevenção às drogas em eventos de música eletrônica, as chamadas raves”. Segundo a matéria, as ações acontecerão por meio de parcerias com empresários e produtores das festas, que se reuniram na segunda-feira (31) com o secretário Antidrogas e ex-delegado da Polícia Federal, Fernando Francischini (na foto com empresários do setor).

Além da presença obrigatória de cães farejadores na entrada das festas, também serão instaladas câmeras nas festas e nas casas noturnas. “Após as festas, DVD’s com as imagens nos serão entregues. Elas poderão ser usadas pela polícia, seja Militar, Civil e Federal, numa ação de repressão contra o tráfico de drogas”, contou o secretário.

Entendo o esforço da Secretaria, que foi criada para esse fim, mas me preocupa essa coisa de câmeras nas festas e, principalmente, dentro dos clubes. Não levo e não vendo drogas em lugar algum e, mesmo assim, sentiria meu direito à privacidade extremamente ferido sendo gravado em uma festa ou num clube e, posteriormente, sendo “analisado” por órgãos policiais juntamente com o restante dos participantes.

Serão feitas triagens das imagens? Por quem? Todas as gravações serão cedidas à polícia? Imagine como serão feitas as análises de horas e mais horas de gravações de um mundo de gente entre luzes e estrobos colocando Halls e chicletes na boca e passando por suspeito. Fora a diversão que será na delegacia quando passarem as “cenas mais calientes” dos freqüentadores em pegações mais animadas. Enfim, um Big Brother em nome da lei. Penso que se existe sigilo telefônico que precisa de autorização judicial para ser quebrado, o mesmo deve ser aplicado a imagens. Ou são todos suspeitos até prova em contrário?

Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, Gustavo Gossling, um dos donos da Vibe, uma das mais afamadas casas do gênero em Curitiba, diz que, desde sua inauguração, o clube conta com câmeras de monitoramento. “Inclusive já foram cedidas à Polícia Federal para ajudar em investigações”, afirma. Ahã. A orientação, dizem os empresários, é retirar dos locias as pessoas que vendem e consomem as drogas. Sei.

A reportagem da Gazeta, aliás, é um emaranhado de clichês sobre o assunto – coisa que as pessoas que acompanham festas e noticiário já estão acostumadas – e o repórter em nenhum momento questiona se a iniciativa vai contra o direito à privacidade dos freqüentadores desses locais.

Quanto aos cães farejadores, cansei de ir a Skol Beats onde havia policiais fortemente armados e com cachorros nas entradas e dentro do espaço onde era realizado o festival, e qualquer pessoa que já tenha participado de algum evento desses sabe da ineficácia desses esforços para coibir o uso de drogas ilegais.

Lendo as declarações dos empresários ao jornal, todos figurinhas carimbadas da noite na região sul, e conhecendo o que acontece dentro dos clubes e festas, fico com a sensação que essas ações cheiram a promoção. Tanto para os responsáveis pelas baladas, que ganham uns pontos com o novo secretário Antidrogas posando de santinhos, quanto para a Secretaria, que pega carona em grandes apreensões de drogas sintéticas feitas pela Polícia Federal no Paraná e aparece ao público como fazendo sua parte.

O órgão também anunciou uma terceira atitude definida na reunião: a divulgação de orientações sobre o efeito das drogas sintéticas no material de divulgação das festas, o que caracteriza o esforço de caráter “preventivo e educativo” da instituição. Claro que a adoção de políticas de minimização de impacto do uso de drogas sintéticas e o impacto do álcool e do tabaco e medidas para restrições do consumo dessas substâncias nem passou perto da pauta de discussão. A preocupação parece ser mesmo vender cerveja. À Gazeta, o empresário Carlos Civilate Júnior, o Jejê, da Orbital, XXXPERIENCE e Tribaltech, disse: “O cara que faz uso destas drogas não bebe nada. Fica na sua ‘viagem'”, justificando perda de receita com bebidas nas festas que organiza.

Não se discutir políticas que minimizem o impacto, aliás, pode ser visto como um mau negócio dos donos dos estabelecimentos e dos produtores de festas. Tenho cá comigo que as ações anunciadas não deverão ter um impacto grande a longo prazo. Devem causar um tumulto aqui, outro lá durante uns meses, e depois cairão em desuso, ainda mais por não se tratar de lei, e sim, de uma “parceria”. Mas caso tenham um efeito mais duradouro, o tamanho do constrangimento aos freqüentadores será diretamente proporcional à diminuição de público. Ou alguém aí gosta de passar por “traficante perigoso” aonde vai para se divertir?

Postado por Diogo Dreyer