Segunda, 21 de abril de 2008. Logo de cara dava pra perceber que não era uma situação muito comum. Estacionados ao redor da casa de show, dois senhores caminhões acompanhados também de um nem um pouco pequeno ônibus. Na porta, uma fila dobrando o quarteirão esperava numa friaca de quase zero grau a hora de receber a pulserinha de papel e comemorar o feito. Sabe como é, de vez em quando, alguns têm a sorte grande e se vêem numa casa de médio porte (800 pessoas) assistindo um show daqueles que merece lotar estádio. Nesses dias você jura estar sonhando, mas com o tamanho da fila da cerveja, você cai de volta à realidade. Só me restou agradecer aos céus e aproveitar o bom som que logo saiu de uma senhora banda a menos de cinco metros de distância.

Confesso que não conhecia o trabalho do Brendan Benson, mas até onde sei, ele está na banda para cumprir o segundo objetivo dos Raconteurs, ou seja, dar mais melodia à pancadaria do guitar-hero Jack White. Digo segundo objetivo, porque todo mundo sabe que o primeiro é dar uma banda de verdade pro cara, afinal, Meg White como baterista, ninguém merece. De qualquer maneira, após algumas ouvidas do segundo álbum, tive a clara impressão que Mr. Jack White tem a mão forte pacas, e é realmente difícil amaciar o som do sujeito. Restava na minha cabeça a dúvida se no show a cena se dividiria entre Jack e Brendan, ou se o primeiro assumiria de vez a posição de líder do Raconteurs.

Com a pista lotada como poucas vezes eu vi naquela casa, a banda entra no palco. Brendan dá boa noite e com Jack White de costas iniciam os trabalho com Consolers Of The Lonely. Jack faz pose, vira para o público numa câmera lenta digna de Michael Bay e manda a segunda estrofe. As músicas seguem e o esquema não muda: Brendan encara o público enquanto Jack destrói na guitarra. Finalmente, lá pela sexta música, eles se alternam. Jack White agradece, apresenta Top Yourself e assume o vocal enquanto Brendan, devagar, toma conta da cozinha.

Brendan não fica muito tempo sozinho na liderança, logo em seguida os dois se juntam e com Intimate Secretary e Level levam o público à loucura. Daí, quando você acha que vai tomar um fôlego, o que cai como uma bomba em seus ouvidos? Steady As She Goes. A música é levada numa batida mais calma, sem muita pressa, até meio displicente, e quando você se sente adaptado, outra bomba. Eles aceleram, aumentam o barulho, e aí meu filho… Nessas horas você já está nas nuvens vendo que a realidade muitas vezes é bem melhor que muitos sonhos. Cortando com Blue Veins e seguindo até Rich Kid Blues, não resta muita dúvida: a banda é mesmo de Jack White. Brendan Benson só não vê se não quiser.

Pausa rápida e os trabalhos reiniciam com Brendan dando um gás em Attention, o já velho single Salute Your Solution e, já quase no final, The Switch And The Spur, que apesar de ser a melhor do novo álbum, perde o peso pela falta dos metais. Carolina Drama diminui o ritmo e manda o pessoal de volta pra casa. Você percebe então a felicidade unânime quando as luzes se acendem. O DJ mete uma música ambiente e mesmo assim, ninguém se mexe. É preciso os seguranças te jogar de volta para a friaca zero grau para você dar conta que acabou, e acordar.

Set list
Consolers Of The Lonely
Hold Up
Store Bought Bones
You Don’t Understand Me
Old Enough
Top yourself
Intimate Secretary
Level
Steady as She Goes
Blue Veins
These Stones Will Shout
Rich Kid Blues

Bis
Attention
Salute Your Solution
The Switch And the Spur
Carolina Drama

Texto e foto por Rodrigo Hermann, especial para o .::musicness::.

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