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Está em andamento a “Global Drug Survey” de 2014, em tradução literal a “Pesquisa Global sobre Drogas”. A iniciativa acontece há mais de 10 anos e é conduzida por uma organização baseada na Inglaterra composta por profissionais de diversas áreas: de médicos a especialistas em sociologia e geopolítica, todos trabalham com o intuito de clarear e deixar mais seguro um campo onde sobram preconceitos e clichês e faltam muitas informações.

O funcionamento da pesquisa é relativamente simples: usuários que têm seu anonimato garantido respondem à uma série de perguntas online. Depois, todos os dados são estudados e as informações coletadas são capazes de gerar dezenas de relatórios e pesquisas, que podem demonstrar desde preços em determinadas regiões até as dosagens recomendadas ou não para cada tipo de droga.

Qual a utilidade disso? A resposta é simples: informação, o que pode ser o detalhe que separa uma noite divertida de uma experiência terrível que pode levar à morte pessoas que não possuem conhecimento sobre como e o que estão consumindo. Só em 2013 dezenas de casos de mortes ligadas ao consumo excessivo ou mal orientado de drogas foram relatados nos Estados Unidos, levando até mesmo ao cancelamento de um grande festival em Nova Iorque. Casos de abuso de drogas são comuns, e na imensa maioria das vezes a falta de informação é fator determinante neles.

Ciente do valor que a informação possui neste contexto, a sociedade inglesa dá uma grande aula de como se portar diante de questões relevantes e que são, de alguma forma, cercadas de tabus: enfrentando-as com inteligência e coerência suficiente para deixar preconceitos de lado e focar no que realmente importa. Veículos como a publicação Mixmag e um dos jornais mais populares da Inglaterra, o The Guardian, colaboram na pesquisa, divulgando-a e publicando seus resultados (fora da Inglaterra, o Huffington Post também apóia a pesquisa).

Que uma revista como a Mixmag se envolva é louvável mas também esperado, afinal de contas os ingleses podem ser chamados de pais da “cultura clubber”, cenário onde o uso recreativo de drogas é bastante comum. Olhar pelo bem estar do seu próprio público é um passo natural de quem quer dialogar com ele.

Mais louvável ainda, entretanto, é a participação do Guardian. Jornal tradicional de circulação diária e integrante de um dos maiores grupos de comunicação do Reino Unido, o periódico adota há três anos uma postura de dar inveja aos seus pares midiáticos ao apoiar a pesquisa. A mensagem do Guardian é clara à sociedade: ele não é omisso na prestação de informações que considera relevantes à ela, sejam estas informações tabus ou não. E, neste caso, saber quais drogas as pessoas estão consumindo e fornecer informações que podem tanto ajudá-las no consumo consciente, como no tratamento, é uma informação relevante. Afinal de contas, além dos usuários elas podem fornecer dados preciosos às autoridades médicas, bem como à estudos sociais ligados ao comportamento do consumo. Resumindo: informações fazem toda a diferença quando o assunto é drogas.

O consumo de substâncias entorpecentes de forma recreativa é um fato: no Brasil, na Inglaterra ou em qualquer país do mundo, ele vai acontecer. Seja nas bebedeiras socialmente aceitas (muitas vezes socialmente estimuladas) da droga que é o álcool, seja nos embalos de drogas ilícitas em ambientes com música ou sem ela (qualquer que seja ela).

Contudo, reconhecer um fato tão simples parece ser mais um dos incontáveis desafios que a sociedade brasileira (a mesma que ainda sofre com as inconcebíveis mortes causadas por motoristas embriagados) ainda não está “preparada”. Quanto mais demorarmos pra fazê-lo, mais prejuízos teremos.

Se você quiser participar da iniciativa, acesse este link e responda ao questionário: http://www.globaldrugsurvey.com/GDS2014/ (há uma versão em português disponível).

Sugerir o link e a “Global Drug Survey” para as pautas de seu jornal ou meio de comunicação preferido também pode ajudar!