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Não bastassem os hits, os sets e o hype ao redor, os irmãos do Disclosure disponibilizaram um vídeo de “Latch” em uma apresentação em Nova York em 360 graus. Através do próprio mouse, é possível ter acesso às diferentes visões do palco!

 

Você compra carros com base em rankings? Seja dos mais vendidos, seja dos melhores? Deixa de frequentar restaurantes porque eles estão fora dos guias especializados ou não estão nas listas dos melhores? Larga o seu time e começa a torcer pra outro pela colocação deles no ranking da CBF ou da Placar?  Provavelmente a resposta pra todas estas perguntas é não – o que não desqualifica a existência destas classificações, diga-se.

Criar listas de coisas e classificá-las segundo critérios mais ou menos lógicos é quase que um hábito do ser humano. Tem a ver com estabelecer parâmetros e agrupar coisas por suas qualidades e provavelmente essa é uma conduta instintiva que nos fez evoluir. Em geral isso pode ser também um ótimo passatempo, e pra algumas pessoas pode se converter numa obsessão. No ótimo livro “Alta Fidelidade” o inglês Nick Hornby explora bem essa mania: das separações mais dolorosas à músicas e álbuns o personagem principal Rob Fleming vive toda uma vida em torno de suas próprias listas, o que somado à ótima narrativa de Hornby faz da história um clássico da literatura recente.

A história de “Alta Fidelidade” me vem à cabeça todos os anos quando vejo as premiações de DJs e os intermináveis embates que se sucedem às suas divulgações: os erros, acertos, as incoerências, absurdos, esquecimentos, méritos, tudo acaba em discussão. Era assim lá atrás nos tempos dos fóruns e com o passar do tempo estes deram lugar às redes sociais, com a polêmica só mudando de endereço: Orkut, Facebook e Twitter frequentemente são palco de debates acalorados  – aos quais eu mesmo participei diversas vezes – que seguem rigorosamente iguais nos argumentos com pequenas variantes nos nomes dos envolvidos. Como estamos em setembro, a DJ Mag encerrou recentemente sua votação do “Top DJ” de 2013, e logo deve divulgar mais uma lista, a décima sétima da história, o que fará com que se repita o filme.

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Ou não. Nos anos 90, quando a música eletrônica era um pequeno nicho e a figura do DJ estava mais perto da marginalidade do que do glamour, fazia sentido que uma publicação de referência inglesa prestasse o suposto bom serviço de situar uma cena artística e um mercado então limitados, mostrando quais DJs eram os mais queridos e apreciados pelo público. Afinal de contas, haviam poucos DJs, poucos clubes, poucos festivais e muito pouca gente (principalmente fora da Inglaterra) que se importasse muito com isso. À época já havia quem torcesse o nariz pra iniciativa justificando que artistas não são carros, vinhos ou produtos pra que possam ser classificados assim.

Como já disse antes, o tempo passou e não é preciso lembrar aqui o tamanho que a então pequena “cena” adquiriu, mas ela cresceu tanto que há 20 anos atrás deviam existir pouco mais de uma centena de DJs profissionais no mundo e hoje existem milhares deles. Num cenário que lutava muito pra ser visto com seriedade e contra preconceitos, explicar pro grande público que haviam artistas  profissionais reconhecidos pelo seu trabalho tinha a sua utilidade

Hoje, entretanto, a permanência das listas dos melhores DJs se converteu em uma aberração, mais propensa a escancarar as distorções de um mercado do que servir como guia de qualquer coisa. Soa como um resquício de uma época em que éramos pequenos, e o fato de não haver nada parecido na música pop, no rock, no hip-hop ou em qualquer gênero é indicador suficiente disso. Os Top 100 da DJ Mag ou os Top 50 do Resident Advisor polarizam e dividem um cenário rico demais pra ser taxado de ou comercial ou conceitual, principalmente quando há tanto talento que não se enquadra em nenhum dos extremos ou que se encaixa perfeitamente nos dois. Pra quem acha que ao menos eles refletem muito bem quais são os artistas mais populares nestes dois “macro gêneros”, a questão que surge é: o que exatamente é a popularidade hoje?

Um artigo recente do New York Times sugere que o conceito de “pop” atual difere muito do de ontem. Méritos da Internet, que fornece novos e muitas vezes confusos parâmetros pra se medir a influência de um artista. Há 70 anos atrás a Billboard simplesmente coletava os dados dos discos mais vendidos e pronto. Hoje o cálculo da publicação leva em conta  downloads, dados de streaming e até mesmo visualizações no YouTube, o que leva à lógica conclusão de que o mais popular não é necessariamente o que mais vende, já que vender não é mais sinônimo de tocar. Hoje temos um pop mais efêmero do que nunca: Gangnam Style e Harlem Shake são ótimos exemplos de hits massivos que tão rápido como vieram, foram.

Logo, na música eletrônica, o DJ mais popular é o mais votado em um site ou o que tem as suas faixas e sets mais baixados – legal ou ilegalmente? Ou o que tem mais datas por ano, por exemplo? Em um país como o Brasil, com tantos artistas valorosos mas restritos territorialmente, os “Tops” estrangeiros estão muito distantes da nossa realidade e refletem quase nada do que acontece nas noites brasileiras.

O fato é que em toda a “indústria cultural” as novas plataformas de reprodução (livros, filmes, vídeos, etc) estão levando a enormes mudanças nos parâmetros de qualificação de popularidade. E outra verdade é que vivemos um tempo em que a chamada “cultura de massa” parece cada vez mais fragmentada, com nichos e preferências de antigas minorias com espaços cada vez maiores, deixando mais difícil identificar as homogeneidades culturais que proporcionam os fenômenos pops. Ou seja: votações restritas a DOIS sites especializados estão muito distantes do que pode ser considerada uma ferramenta válida pra se mensurar a popularidade de artistas. É curioso (e não deixa de ser irônico) ver como uma música que sempre esteve tão ligada à ideia futurística ainda esteja tão presa ao passado na sua própria auto crítica.

Talvez o caminho a ser trilhado esteja nas bons e velhos prêmios. É nas premiações qualitativas que os bons parâmetros podem aparecer com mais facilidade, e é mais comum e menos polêmico que se estipulem classificações de grandes álbuns, de eventos memoráveis e de artistas que atravessam momentos singulares. É saudável que todos estes trabalhos sejam reconhecidos – de preferência mesclando a opinião do público com a de especialistas, pra que se tenha uma avaliação combinando a popularidade com a opinião de gente que trabalha com isso, e só por isso tem mais condições de opinar já que vê, escuta e observa mais que a maioria. Talvez com tanta proximidade com a tecnologia, estabelecer métricas eficazes de popularidade amparadas em dados reais não seja um desafio tão grande assim.

Listas e classificações podem ser ótimas fontes de informação para um público que desconhece determinado assunto e uma justa homenagem a trabalhos, mas a sua credibilidade deve residir em algo além da simples popularidade – principalmente com tantas perguntas em torno do que esta palavra pode significar hoje.

Autoridades norte-americanas afirmam que três mortes em eventos musicais realizados no país durante a semana passada guardam relação com consumo excessivo de drogas, mais particularmente de Ecstasy. Não há confirmação de exames toxicológicos, mas a sequência chocou o país.

Olivia Rotondo, de 20 anos, e Jeffrey Russ, de 23, eram estudantes universitários e estavam em Nova Iorque para o festival Electric Zoo, um dos maiores realizados na região. Segundo informações do New York Post, ambos teriam ingerido grandes quantidades de droga, e Olivia teria dito a uma amiga que tinha tomado seis comprimidos de Ecstasy. Eles chegaram a receber atendimento médico no local, mas morreram em hospitais na madrugada de 31 de agosto, o que levou a Prefeitura de Nova Iorque a recomendar o cancelamento do terceiro dia do festival, o que foi acatado pela organização. Na semana passada uma outra mulher, não identificada, morreu durante uma apresentação do DJ Zedd, em Boston, também por suspeita de overdose, além de outras duas terem sido internadas pelo mesmo motivo.

As mortes causaram consternação nas mídias sociais, com artistas e organizadores dos eventos postando declarações de solidariedade aos familiares. Nesta segunda, a notícia foi amplamente repercutida por diversos jornais, blogs, revistas e sites.

Diferente de outros tempos ou países, em que a generalização e a demonização estúpida da música seriam um alvo fácil da imprensa, desta vez o que se percebe é um debate muito mais construtivo a partir do horror causado pela situação. Talvez porque já tenha ficado evidente que problemas desse tipo não são exclusivos de festas de música eletrônica, e o Huffington Post, através de uma carta de seu Editor de Entretenimento Kia Makarechi, adotou um posicionamento valioso no caso. Deixando de lado a hipocrisia ou o sensacionalismo fácil, Kia sugere uma discussão ampla sobre o caso e, principalmente, atitudes por parte de artistas que vão além de apenas “lamentar as mortes no Twitter”. Ele também chama os grande eventos à responsabilidade de informar seu público sobre os riscos das drogas e de disponibilizar equipes médicas especialmente treinadas para agir, sugerindo ainda que organizações como a Dance Safe tenham um papel mais ativo nos eventos.

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Mais que isso: o jornalista chama pra si mesmo a responsabilidade afirmando que se estereotipar os eventos de música eletrônica não é o melhor caminho para contribuir com a solução dos problemas, essa rotulação também não pode ser utilizada para negar o fato de que sim, há o consumo de drogas que está pondo em risco a vida de pessoas. A questão que surge com muita coerência no discurso de Kia é exatamente esta: a negação da existência do problema também é um fator para que ele persista, assim como é falta de políticas coerentes. Nas palavras dele mesmo “Anyone in a position to distribute information that can save lives who shirks that responsibility is a coward. There’s a difference between “don’t do drugs” and “there have been a number of high-profile deaths within our community — please take a minute to educate yourselves.”

Traduzindo: “Qualquer pessoa em uma posição de transmitir informações que podem salvar vidas que foge dessa responsabilidade é um covarde. Há uma diferença entre dizer “não use drogas” e “Há casos de mortes ligadas a isto dentro da nossa comunidade – por favor, tome um tempo para se informar e se educar sobre isso”.

O sensacionalismo que estereotipa e taxa todo e qualquer evento de música eletrônica de um “ambiente drogado” é batido (apesar de ainda vender muito), mas se ele é nocivo pra solução do problema, a hipocrisia que nega a existência de consumo também é. Ambos miram no ponto errado: um pela ânsia de ganhar audiência fácil na tragédia sem enfrentar o problema de fato, e outro por se esquivar de uma responsabilidade que de fato não é apenas sua, mas também é sua. O consumo de entorpecentes é um comportamento humano milenar e que vai acontecer, não importa quão pesada seja a proibição. Se ele foge do controle a ponto de seus usuários experimentarem conseqüências graves, e há um ponto comum no ambiente em que isto está acontecendo, nasce uma responsabilidade maior de todos os envolvidos. É o Estado, mas também são as pessoas envolvidas nisso que devem tomar atitudes positivas sem que isso seja distorcido pelos oportunistas como “apologia”.  Ou seja: a equação envolve o Estado, a sociedade e os mais diretamente envolvidos nos eventos.

A Polícia não está fazendo apologia à violência quando pede que torcedores evitem trajar camisas de torcidas organizadas em dias de jogo: ela está adotando uma postura preventiva a fim de evitar que o comportamento de poucos violentos prejudique muitos por motivos estúpidos. Igualmente, orientar condutas a todos os frequentadores de uma festa sobre como agir em uma situação de perigo ligada ao consumo de drogas não é apologia alguma, mas tão somente  uma prevenção de que o comportamento de poucos se converta em um grande problema.

Talvez Makarechi esteja exagerando, mas eu particularmente me preocupo quando algo que gostamos tanto como a música eletrônica cresce numa proporção tão grande a ponto de pessoas perderem suas vidas em momentos que eram para ser de diversão, e estas mortes podem estar acontecendo por simples desconhecimento.

E é exatamente por isso quero fazer a minha parte, a começar aqui pelo musicness: o ótimo filme “Quebrando o tabu” inaugura amanhã em seu canal no Youtube uma série de vídeos destinados a ampliar o debate sobre a questão das drogas. Se você ainda não viu o filme ele está disponível integralmente no canal do Quebrando o Tabu! Mais que isso: recomendo que você acesse a página do Dance Safe e dê uma lida. Ela é intuitiva e simples, e o Google Tradutor ajuda quem não tem facilidade com o inglês. As informações podem ser úteis caso você seja um consumidor, caso você tenha amigos que sejam ou simplesmente se você estiver num clube/show/festa e ver uma pessoa em situação de risco.

Muitos pensam que a sociedade brasileira não está pronta para o debate maduro que sempre sonhamos sobre a questão das políticas de redução de danos relacionada ao consumo de drogas. Mas acredito que tomarmos a iniciativa de fazer este debate amadurecer não é apenas uma opção, mas sim uma responsabilidade, e quebrar alguns tabus é o primeiro passo pra que isso aconteça.

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Como o pequeno vídeo abaixo mostra, chamar o som do Skrillex de “barulho” (no caso, de um liqüidificador)  não é nenhum absurdo – pelo contrário: segundo o Shazam é a resposta mais correta!

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Todo ano é assim: a cada 3 ou 4 meses sai alguma faixa daquelas que não saem da cabeça e funcionam em qualquer pista. A de agora, sem dúvida, é essa aqui:

Esta semana foi confirmada a mudança de mãos do Lollapalooza brasileiro: saiu a GEO Eventos e entrou a Time For Fun na produção do festival, pelos próximos cinco anos.

Não demorou muito pra boataria começar, e alguns veículos já dão como certa a presença de Depeche Mode e Nine Inch Nails no Lolla Brasil 2014, que a princípio acontecerá no fim de março ou no começo de abril. Tudo teria começado com o “vazamento” de uma pretensa lista de atrações que você pode conferir logo abaixo, acompanhada do nome (e assinatura?) de Fernando Altério – presidente da Time For Fun – e dividindo os artistas pelas edições chilenas e brasileira do festival. O jornal paulistano Destak publicou esta notícia – não confirmada pela organização – em sua edição impressa de hoje, 8 de agosto, e diversos veículos replicaram ao longo do dia o boato que circula por aí.

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Depeche Mode, Bjork e Nine Inch Nails seriam alguns dos headliners do Lollapalooza Brasil, que ainda contaria com The Knife, Portishead, Grimes, Cut Copy, Phoenix e Vampire Weekend e várias outras atrações.

Dos DJs, chama a atenção a presença do duo Disclosure, inédito por essas bandas e uma das sensações do ano. Calvin Harris e Skream & Benga também integrariam o line-up.

Enquanto a confirmação não vem, deixo com vocês o clipe de “White Noise”, hit do Disclosure e que tem a participação de Aluna George:

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Ir pra academia é um prazer pra muita gente: há quem chame o programa de “treino”(comparando a puxação de ferro a esporte profissional), há quem se apaixone pelos suplementos a base de proteína a ponto de submeter suas coloridas  embalagens aos filtros do Instagram, e há, é claro, as hashtags motivacionais “#nopainnogain”e “#projetoverao” onipresentes na sua time-line. Bastante gente gosta disso tudo, mas eu não: esporte pra mim é ao ar livre, na praia, na grama ou no parque, de modo que as abafadas academias estão bem distantes do que considero o lugar ideal pra querer suar, e acho que potes de farelo de proteína estão mais próximos de ração que de refeição.

Eis que vem da notável criatividade inglesa uma ideia genial: uma festa que se propõe a substituir as maçantes atividades das academias. Chamada de “Morning Glory”, o evento acontece todas as quartas-feiras em um galpão localizado no bairro londrino de Shoreditch, das 06:30hs às 10:30hs da manhã. Sucos, vitaminas, café e massagem estão incluídos no pacote, e a entrada custa 10 Libras Esterlinas, algo em torno de 36 Reais. Segundo os organizadores, a ideia foi testada em algumas raves pelo Reino Unido e hoje conquistou clubbers da velha guarda que já não têm aquele pique todo pras noitadas e pessoas fugindo da atmosfera padronizada das academias.

A BBC fez a matéria abaixo (em vídeo) sobre a iniciativa, que você pode conferir em português aqui, e a “Morning Glory” tem site oficial e página no Facebook também. Pra este “treino”, podem me chamar!

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Em 1948 o Japão era um país bem diferente do que é hoje. Os efeitos devastadores da Segunda Guerra Mundial eram sentidos em todo o país com cidades destruídas, uma economia em colapso e uma sociedade arrasada. Foi neste cenário que surgiu a “Lei das Empresas que Afetam a Moral Pública”, popularmente chamada de “Fueiho”.

A ideia por trás da lei era das melhores: regular as atividades ligadas ao entretenimento de um modo geral, especialmente para coibir o jogo ilegal e a prostituição. A “Fueiho” estabelecia uma séria de licenças e procedimentos burocráticos para a obtenção destas permissões, de modo que para se dançar em um local fechado era necessário que ele tivesse uma licença específica – que o obrigava a fechar as portas à 1hr da madrugada.  Não só isso: para que as pessoas pudessem dançar, o local deveria ter uma área mínima de cerca de 60 metros quadrados completamente livre e desobstruída para ser utilizada em caso de emergências.

O tempo passou, o Japão deu a volta por cima e protagonizou uma das histórias mais fascinantes de superação que uma nação já deu. É um país extremamente rico e desenvolvido, mas sua sociedade mantém características seculares de preservação de suas tradições. Muita coisa mudou radicalmente no país, mas a “Fueiho” não foi uma delas.

Apesar da lei estar vigente há mais de 60 anos e de ter passado por pequenas mudanças, por muito tempo os japoneses fizeram algo que nós brasileiros estamos bem acostumados e simplesmente ignoraram as determinações legais, fazendo com que a lei “não pegasse”. A música eletrônica foi uma a se beneficiar desta atitude e clubes, bares e festas não precisavam se adaptar às rígidas (e sem sentido nos dias atuais) regras para permitir que as pessoas pudessem dançar.  Mais que isso, os japoneses se revelaram bons de pista: além de uma cena rica com ótimos DJs e produtores, muita gente coloca até hoje clubes como Womb entre os melhores do mundo. Tóquio se orgulha de ser uma cidade com uma noite agitada e das mais animadas do mundo.

E assim as coisas iam correndo bem até que em 2010 um estudante morreu em uma briga de rua que teve início dentro de um clube em Osaka. A partir deste momento as autoridades japonesas como que “ressuscitaram” o então esquecido absurdo legal ,  e o que se vê desde então é uma verdadeira aberração: clubes e boates nas quais é proibido…dançar! A foto que você vê abaixo não é nenhuma montagem: diversos clubes japoneses podem até parecer iguais aos de qualquer outro lugar do mundo com seus bares, cabines de DJs com músicos se apresentando e pistas, não fosse pelo fato de pedirem expressamente aos seus frequentadores que não dancem.

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Claro que respeitar a insólita regra é um desafio, e não são poucos os relatos de pessoas que são interrompidas de seus passos por seguranças ou até mesmo de fechamentos de clubes por desrespeitarem a lei. São inúmeros os relatos de histórias que beiram ao cenário das pegadinhas de TV, mas o problema é que elas são bem reais e estão causando prejuízos para os donos dos estabelecimentos, para quem simplesmente quiser pegar uma boa festa e é claro, para todo o desenvolvimento de um cenário cultural rico em solo japonês.  A principal pergunta que se faz é: porque as autoridades locais decidiram aplicar uma parte da lei que se encontrava em desuso há tantos anos exatamente neste momento? Diversas teorias aparecem, dando conta de que a lei não passa de uma desculpa para cobrir investigações maiores do crime organizado ou até mesmo de que o Japão é alvo de uma “onda de moralidade” imposta pelos políticos na última década.

Não demorou para que as pessoas se organizassem contra a “Fueiho” e músicos (como Ryuichi Sakamoto), empresários e bastante gente vêm se mobilizando pra que os trechos da lei que tratam das limitações aos espaços de dança sejam derrubados ou revistos. Abaixo assinados e organizações como a “Dance Lawyers” são alguns exemplos disto, além de posicionamentos individuais e de diversos veículos da mídia (alguns deles recorrendo ao caso de Berlim para mostrar como a “club culture” pode ser um grande atrativo para uma cidade), de modo que até mesmo a edição local da revista Time Out já se manifestou contra o absurdo. Por hora, nenhuma mudança surtiu efeito concreto, mas com o debate instalado o assunto já é visto como prioritário nas discussões em torno da cultura no país. O receio maior é de que como as ações mais duras de fiscalização  já duram alguns anos, as novas gerações não estão tendo o mesmo contato com a cultura da música eletrônica que as gerações anteriores tinham há 5 ou 10 anos atrás. Alguns artistas e produtores já planejam se adequar e investir em eventos diurnos na tentativa de amenizar os prejuízos (financeiros e culturais), e a discussão já vai muito além dos clubes de música eletrônica, englobando artistas de rock e hip-hop. Enquanto a lei não muda, é proibido dançar no Japão!

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Após quase um ano fora do ar, o musicness:. retoma atividades!

Para os que ainda não conheciam: o blog foi fundado em julho de 2007 por mim (João Anzolin) e pelos amigos Diogo Dreyer e Raul Aguilera. Nas palavras do Diogo no post inaugural, a ideia era um espaço para “debates, fofocas e falatórios musicais em geral”, o que foi feito com muita assiduidade e alguma audiência durante quase 5 anos. Em abril de 2008 fomos convidados pelo www.rraurl.com a integrar a seção de blogs do emblemático site, e no mesmo ano o musicness:. chegou a ser indicado pelo festival Skol Beats como um dos 10 blogs brasileiros mais relevantes de música. Em setembro de 2012, 5 anos e quase 150 mil acessos depois de seu primeiro post, foi desativado (ainda é possível conferir o conteúdo publicado no rraurl aqui).

Como para este que aqui escreve só escutar não basta e escrever é mais que um hábito, o blog é retomado pra dar continuidade ao que era feito antes por estas bandas, abrindo um pouco mais o espaço pra falar de tudo que se ache pertinente. Os comentários nas postagens seguem possíveis como sempre, e para contato direto basta enviar um email pra joaoanzolin@gmail.com!

Segunda, 21 de abril de 2008. Logo de cara dava pra perceber que não era uma situação muito comum. Estacionados ao redor da casa de show, dois senhores caminhões acompanhados também de um nem um pouco pequeno ônibus. Na porta, uma fila dobrando o quarteirão esperava numa friaca de quase zero grau a hora de receber a pulserinha de papel e comemorar o feito. Sabe como é, de vez em quando, alguns têm a sorte grande e se vêem numa casa de médio porte (800 pessoas) assistindo um show daqueles que merece lotar estádio. Nesses dias você jura estar sonhando, mas com o tamanho da fila da cerveja, você cai de volta à realidade. Só me restou agradecer aos céus e aproveitar o bom som que logo saiu de uma senhora banda a menos de cinco metros de distância.

Confesso que não conhecia o trabalho do Brendan Benson, mas até onde sei, ele está na banda para cumprir o segundo objetivo dos Raconteurs, ou seja, dar mais melodia à pancadaria do guitar-hero Jack White. Digo segundo objetivo, porque todo mundo sabe que o primeiro é dar uma banda de verdade pro cara, afinal, Meg White como baterista, ninguém merece. De qualquer maneira, após algumas ouvidas do segundo álbum, tive a clara impressão que Mr. Jack White tem a mão forte pacas, e é realmente difícil amaciar o som do sujeito. Restava na minha cabeça a dúvida se no show a cena se dividiria entre Jack e Brendan, ou se o primeiro assumiria de vez a posição de líder do Raconteurs.

Com a pista lotada como poucas vezes eu vi naquela casa, a banda entra no palco. Brendan dá boa noite e com Jack White de costas iniciam os trabalho com Consolers Of The Lonely. Jack faz pose, vira para o público numa câmera lenta digna de Michael Bay e manda a segunda estrofe. As músicas seguem e o esquema não muda: Brendan encara o público enquanto Jack destrói na guitarra. Finalmente, lá pela sexta música, eles se alternam. Jack White agradece, apresenta Top Yourself e assume o vocal enquanto Brendan, devagar, toma conta da cozinha.

Brendan não fica muito tempo sozinho na liderança, logo em seguida os dois se juntam e com Intimate Secretary e Level levam o público à loucura. Daí, quando você acha que vai tomar um fôlego, o que cai como uma bomba em seus ouvidos? Steady As She Goes. A música é levada numa batida mais calma, sem muita pressa, até meio displicente, e quando você se sente adaptado, outra bomba. Eles aceleram, aumentam o barulho, e aí meu filho… Nessas horas você já está nas nuvens vendo que a realidade muitas vezes é bem melhor que muitos sonhos. Cortando com Blue Veins e seguindo até Rich Kid Blues, não resta muita dúvida: a banda é mesmo de Jack White. Brendan Benson só não vê se não quiser.

Pausa rápida e os trabalhos reiniciam com Brendan dando um gás em Attention, o já velho single Salute Your Solution e, já quase no final, The Switch And The Spur, que apesar de ser a melhor do novo álbum, perde o peso pela falta dos metais. Carolina Drama diminui o ritmo e manda o pessoal de volta pra casa. Você percebe então a felicidade unânime quando as luzes se acendem. O DJ mete uma música ambiente e mesmo assim, ninguém se mexe. É preciso os seguranças te jogar de volta para a friaca zero grau para você dar conta que acabou, e acordar.

Set list
Consolers Of The Lonely
Hold Up
Store Bought Bones
You Don’t Understand Me
Old Enough
Top yourself
Intimate Secretary
Level
Steady as She Goes
Blue Veins
These Stones Will Shout
Rich Kid Blues

Bis
Attention
Salute Your Solution
The Switch And the Spur
Carolina Drama

Texto e foto por Rodrigo Hermann, especial para o .::musicness::.